sexta-feira, 22 de julho de 2011

Petrobras anuncia plano de investimentos quinquenal de US$ 224 bilhões para agradar mercado e governo


A Petrobras lançou um novo plano de investimentos de US$ 224,7 bilhões para os próximos cinco anos que busca elevar a rentabilidade da empresa, aumentando os gastos em exploração de petróleo, mas que mantém o valor global praticamente inalterado ante o programa anterior.
O plano foi feito sob encomenda para agradar o mercado e o governo, sobretudo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que pediu reiteradas vezes que a Petrobras fizesse um programa de investimentos "mais realistas e sem excessos".

De um lado, a empresa mostrou que reduziu os gastos com refino, segmento com margem apertada de lucro, e aumentou os investimentos em exploração e produção. De outro, manteve o valor próximo ao plano anterior, reduzindo a necessidade de aumento no preço de seus principais produtos, gasolina e diesel, que vem impactando a inflação.

A área de Exploração e Produção (E&P) vai receber US$ 127,5 bilhões no período de 2011 a 2015, ante US$ 118,8 bilhões previstos no plano anterior. Já o setor de Refino, Comercialização e Transporte (RTC) terá US$ 70,6 bilhões, contra US$ 73,6 bilhões no programa passado. A Petrobras traçou no plano metas específicas de redução de investimentos em refinarias, mas ainda não deu detalhes.

"Se boa parte (do plano) for para o upstream (exploração e produção) vai ter recepção positiva, e se tiver redução de investimentos em refinarias pode trazer ânimo para os papéis", disse à Reuters o analista Andrés Kikuchi, da Link Investimentos, antes do anúncio do plano, referindo-se às debilitadas ações da companhia que estão perdendo mais do que o Ibovespa este ano.

MENOS PETROQUÍMICA, MAIS ETANOL

A estatal também reduziu investimentos nas áreas de Petroquímica, de 5,1 para US$ 3,8 bilhões, e da área de Gás e Energia de 17,8 para US$ 13,2 bilhões, Já no setor de biocombustíveis, onde estão incluídos os investimentos em expansão de produção de etanol e de biodiesel, serão aplicados US$ 4,1 bilhões em cinco anos contra US$ 3,5 bilhões previstos no plano anterior, até 2014. A empresa informou que foram retirados projetos do plano anterior no valor de US$ 10,8 bilhões e foram incluídos US$ 32,1 bilhões em novos projetos.

"Em relação aos novos projetos incluídos no Plano, 87% do valor dos investimentos é dedicado à área de E&P, sendo que boa parte representa investimentos relativos à Cessão Onerosa (US$ 12,4 bilhões), compreendendo projetos de alta geração de caixa", disse a empresa em um comunicado.

A estatal ressaltou que o atual plano não prevê emissão de ações e apenas endividamento, em uma faixa anual entre 7 e US$ 12 bilhões, dependendo do cenário mundial. A promessa no plano é de uma alavancagem média de 29 a 26 por cento, dependendo do cenário.

Do modo como foi preparado, o plano busca manter as condições necessárias para a manutenção do grau de investimento, disse a petroleira. A empresa prevê gerar de US$ 125 bilhões a US$ 148,9 bilhões de caixa próprio no período e captar até US$ 67 bilhões.

Pela primeira vez a empresa - que teve o pedido do conselho de administração para manter os investimentos próximos do nível do plano anterior - anunciou que fará desinvestimentos no valor de US$ 13,6 bilhões. O conselho rejeitou por duas vezes versões anteriores do plano, antes da aprovação desta sexta-feira, em Brasília.

PRODUÇÃO

A meta de produção de longo prazo da empresa subiu de 5,382 milhões de boed para 6,418 millhões de boed em 2020, "devido basicamente ao aumento da participação da produção esperada do pré-sal e à introdução da produção nas áreas da Cessão Onerosa", explicou a companhia.

A Petrobras prevê perfurar dez poços exploratórios na cessão onerosa, contemplados pelo programa exploratório mínimo exigido pelo contrato, e a expectativa é de que a entrada em produção do primeiro FPSO da área de Franco 1, com capacidade de produção de 150 mil boed, seja em 2015.
A meta de produção para 2015 também foi elevada, para 3,993 milhões de barris de óleo equivalente/dia. A meta de produção de petróleo este ano, no entanto, foi mantida em 2,1 milhões de bpd.

O plano traz ainda as projeções macroeconômicas da Petrobras para o período, com a taxa média de câmbio prevista em R$ 1,73 o dólar; e o preço do petróleo Brent projetado em US$ 110 para 2011 e uma faixa deUS$ 80 a US$ 95 o barril de 2012 a 2015. (Reuters)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sustentabilidade na logística – exemplos reais


Já discutimos como a logística pode ajudar o meio ambiente, como por exemplo com embalagens mais sustentáveis ou através da logística reversa. Hoje veremos exemplos de grandes empresas que contribuem para esta tendência, como Walmart, PepsiCo e IBM. Estes exemplos vem do jornal LA Times e mostram como o Walmart e outras companhias têm se esforçado para melhorar sua sustentabilidade. Há alguns exemplos interessantes que se aplicam além da gigante do varejo.

A cervejaria Anheuser-Busch InBev disse querer reduzir em 30% o uso de água em seus processos produtivos em até 5 anos e reciclar 99% de seus resíduos até 2012. A varejista de ferramentas Lowe’s reciclou quase meio bilhão de quilos de pallets de madeira e papelão.

No ano que vem, a PepsiCo Inc. está planejando testar garrafas feitas a base de plantas – que incluiriam mais de meio milhão toneladas de cascas de aveia e de laranja, que normalmente são resíduos de outras atividades da empresa.

A IBM ficou em primeiro lugar dentre 100 empresas no quesito ambiental da lista da Corporate Responsability Magazine. Mas o ambientalismo não é somente “uma demonstração de virtude da empresa” ou uma forma de filantropismo, segundo o diretor executivo Samuel Palmisano. É uma estratégia de crescimento.

“As preocupações sobre nosso meio ambiente não se opõem às preocupações sobre nossas economias e sociedades – elas são uma só”.

Para o Walmart, algumas iniciativas vão diretamente para as operações do dia-a-dia. Mas por trás das prateleiras, as operações passaram por grandes mudanças sustentáveis. A empresa afirmou que 80% dos seus resíduos na Califórnia não vão mais para os aterros sanitários – eles são reciclados em novos produtos. Ela já economizou milhões de dólares reciclando embalagens de produtos.

Mas isto vem com uma advertência: o Walmart afirma que acompanha o processo cautelosamente, pois qualquer passo dado afeta milhares de fornecedores.

“Como uma grande empresa, temos a responsabilidade e uma oportunidade – as decisões que tomamos podem acelerar mudanças por toda a cadeia de suprimentos”, disse Leslie Dach, vice-presidente executiva de assuntos corporativos. “Mas nós temos que ser mais cautelosos devido ao nosso porte”.

É uma troca interessante. Por um lado, o Walmart pode fazer muitas empresas entrarem nesta corrida. Se eles decidem que algo deve ser feito, empresas e cadeias de suprimentos podem mudar rapidamente. Por outro lado, eles sabem que existem consequências severas se eles estiverem errados. Isto significa que empresas pequenas podem arriscar mais se encontrarem alguém disposto a arriscar com eles. O Walmart certamente encontrará alguém disposto a jogar o jogo deles, mas se estiverem errados isto custará muito dinheiro para muitas pessoas.

Baseado no texto “Green packaging” de Martin A. Lariviere, publicado no blog The Operations Room. Tradução e adaptação feitas por Leandro Callegari Coelho e autorizadas pelos autores exclusivamente para o Logística Descomplicada.

sábado, 16 de julho de 2011

Brasil deve receber investimentos de R$ 1 trilhão para área de energia até 2020


O Brasil receberá investimentos de R$ 1 trilhão para projetos nas áreas de energia elétrica, petróleo, gás e biocombustíveis até 2020. A projeção foi apresentada pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim (foto), aos integrantes do Conselho Temático de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em reunião ocorrida nesta quarta-feira. Desse total de investimentos, a maior parcela será destinada a petróleo e gás, com R$ 686 bilhões nos próximos dez anos.

Segundo Tolmasquim, a oferta brasileira de petróleo saltará de 2 milhões de barris para 6 milhões de barris em 2020, dos quais 3 2 milhões serão para a exportação. "O Brasil vai ser o primeiro exportador de petróleo a ter uma matriz limpa no mundo", disse Tolmasquim. Ele afirmou isso considerando também fortes investimentos na área de etanol e energia elétrica com fontes renováveis.

As projeções da EPE indicam aplicação de R$ 90 bilhões em usinas de etanol nos próximos dez anos, o que será suficiente para atender a frota de veículos leves com motor bicombustível. A produção de etanol, que hoje oscila entre 25 bilhões e 28 bilhões de litros, chegará 73 bilhões de litros em 2020.

Tolmasquim destacou que atualmente a frota brasileira tem quase 29 milhões de carros, dos quais 49% já são bicombustíveis. Para 2020, a estimativa é que a frota chegue a 50 milhões de veículos desses 78% com motor bicombustível.

Na área de energia elétrica, Tolmasquim também apresentou um cenário positivo. Segundo ele, nos próximos dez anos, haverá uma expansão de mais de 61 mil megawatts na oferta de energia elétrica. "Grande parte já está contratada", informou Tolmasquim referindo-se a uma parcela superior a pouco mais de 42 mil megawatts. Nessa conta de projetos já contratados, ele inclui a energia que será ofertada pelas usinas de Jirau (RO), Santo Antônio (RO) e Belo Monte (PA). "Isso traz uma grande tranquilidade", destacou. As projeções consideram o crescimento do PIB de 5% em média nos próximos 10 anos.

No setor de transmissão de energia, o presidente da EPE explicou que está sendo considerada uma construção de 42.553 quilômetros de novas linhas, ou seja, uma expansão de cerca de 43% em comparação ao total de 99.649 quilômetros de linhas existentes. "No Brasil, o parque de transmissão é muito robusto", disse Tolmasquim. Ele disse ainda acreditar que dentro de pouco tempo serão solucionados entraves envolvendo licenciamentos ambientais o que facilitará investimentos no setor.

Apesar da expansão da geração de energia elétrica, as fontes renováveis continuarão respondendo por 83% do total em 2020, ou seja, o mesmo porcentual de hoje. As hidrelétricas, que hoje respondem por 75%, cairão para 67%. As fontes alternativas (energia eólica, pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e bioeletricidade com bagaço de cana), hoje em um patamar de 8%, subirão para 16%. A energia nuclear continuará em 2% em 2020 e a térmica, em 15%.

domingo, 10 de julho de 2011

Barreira do álcool nos EUA pode acabar em agosto e beneficiar exportação do etanol brasileiro


Senadores americanos dos partidos Republicano e Democrata anunciaram nesta quinta-feira acordo para acabar, no final deste mês, com os subsídios ao álcool de milho no país e com a tarifa de importação ao produto importado -que funciona como uma barreira à entrada do etanol brasileiro nos EUA.

No mês passado, o Senado dos EUA aprovou emenda para acabar com os subsídios, mas, como ela está acoplada à lei de revitalização da economia americana - que ainda não foi aprovada - e por isso continua parada no Senado.

O objetivo do acordo de hoje é acelerar o processo e incluir a eliminação dos subsídios no projeto de lei que estabelece um teto para os gastos públicos e que precisa ser aprovado até 2 de agosto.

"Esse acordo significa uma boa chance de ter uma votação rápida para o fim dos subsídios", diz Letícia Phillips, representante da Unica (União da Indústria da Cana) em Washington.

A pressão pelo fim dos subsídios, que somam US$ 6 bilhões anuais, ganhou força nos EUA devido aos esforços para conter gastos.

A abertura do mercado americano teria impacto comercial limitado para o Brasil no curto prazo, pois a produção está totalmente comprometida com o mercado interno, mas deve incentivar investimentos na produção.