segunda-feira, 19 de julho de 2010

Petrobras anuncia estudo para pólo gás-químico no Espírito Santo


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, anunciou nesta quinta-feira que a empresa estuda a construção de um pólo gás-químico no Estado do Espírito Santo para utilizar a produção de gás natural da região.

"Nós estamos desenvolvendo projetos, que estão ainda em fase de projetos, mas se tornarão realidade dentro em breve... para desenvolver a química do gás natural... para produzir produtos químicos no Estado do Espírito Santo", disse Gabrielli, após ser incentivado a fazer o anúncio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dois participaram nesta quinta-feira da cerimônia que marcou o início da produção comercial na camada pré-sal do Espírito Santo, no campo de Baleia Franca, que vai produzir inicialmente 13 mil barris diários de óleo leve (28 graus API) e atingir 100 mil barris no final do ano.

Esta é a primeira produção comercial na camada pré-sal do país, que tem na bacia do Espírito Santo uma situação diferente da encontrada na bacia de Santos, onde estão os maiores reservatórios. Enquanto a camada de sal capixaba é de cerca de 100 metros, na bacia de Santos chega a dois quilômetros.

"Fomos informados pelo Gabrielli hoje que há uma discussão interna na empresa sobre a localização de um pólo petroquímico de gás aqui, e queremos agregar valor ao gás", disse o governador de Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).

"O presidente Gabrielli ficou de me convidar para ir ao Rio [de Janeiro] para continuar esse debate, que é um tema de um protocolo que assinei com a Petrobras, um tempo atrás", completou.

Hartung explicou que as negociações com a empresa eram para construção de uma fábrica de fertilizantes, mas que no meio das conversas surgiu a oportunidade de um pólo gás-quimico no Estado, bem mais amplo.

"No meio da negociação veio a solução de um pólo gás- químico, já está no plano de investimentos da Petrobras, estão no PAC 2, e agora foi anunciado publicamente por Gabrielli e reforçado pelo presidente Lula", afirmou Hartung.

Lula também tocou no assunto.

"A indústria naval já está se recuperando rapidamente, a indústria petroquímica já está implantando vários pólos e o presidente da Petrobras acaba de anunciar que o Espirito Santo vai ter um pólo petroquimico", disse o presidente.

Hartung informou que a localização do novo pólo deverá ser próxima à Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cacimbas, em Linhares.

"O Espírito Santo está a caminho dos 500 mil barris por dia nos próximos anos. A gente quer fornecer gás para o Brasil, mas não quer ser meramente fornecedor de matéria prima, queremos agregar valor e dar oportunidades para os capixabas", avaliou o governador.

O Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo no país com 165 mil barris diários de petróleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás.

ROYALTIES

Durante o evento, Lula voltou a afirmar que não é a favor da discussão sobre a divisão dos royalties entre os Estados em ano de eleições. Hartung, junto com o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, defendem a manutenção dos royalties apenas para os Estados produtores.

"Eu até não queria que a discussão sobre os royalties entrasse em discussão no Congresso Nacional, porque estamos num ano eleitoral, e no ano eleitoral todo mundo quer fazer benefício para todo mundo", disse Lula.

A matéria sobre a divisão dos royalties está na Câmara dos deputados, mas a previsão é de que seja discutida após as eleições de outubro. O texto também trata da mudança no sistema de exploração para o regime de partilha.

O presidente lembrou que o projeto de royalties enviado ao Congresso Nacional foi fruto de um acordo com governadores. A proposta, no entanto, foi alterada na Câmara dos deputados, por uma emenda que estabeleceu a divisão dos royalties igualmente entre Estados produtores e os não produtores. O Senado manteve a mudança, mas fez alterações no projeto que inclui a partilha, obrigando a proposta a voltar para a Câmara.

"Nós fizemos um acordo, esse acordo foi rompido na votação da Câmara dos Deputados. Depois foi rompido no Senado... Eu tenho consciência de que o acordo que nós tínhamos feito era a melhor solução para a questão do petróleo", afirmou Lula.

O presidente referiu-se ainda ao vazamento ocorrido em abril no golfo do México, nos Estados Unidos, em um poço da BP, ao falar sobre o início da exploração comercial do pré-sal no Brasil.

"Aquilo, segundo o companheiro Estrella [diretor da Petrobras, Guilherme Estrella], não foi acidente, foi um desastre. Não é o caso que vai acontecer com a Petrobras", afirmou.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Petrobras decobre petróleo em Angola e na Bacia de Santos junto com Repsol e Vale


A espanhola Repsol encontrou indícios de petróleo no bloco S-M-673, na bacia de Santos, em área que divide com a Petrobras, Vale e a australiana Woodside Petroleum, de acordo com informação do site da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A Repsol é operadora com 40 por cento do bloco, a Petrobras detém 35 por cento e as outras sócias possuem 12,5 por cento cada. A descoberta foi realizada a 156,5 metros em lâmina dágua no poço 4REPF8SPS, de acordo com a Agência Reuters.

A Petrobras também comunicou hoje ao mercado nova descoberta de petróleo no Bloco 15/06, localizado no litoral de Angola. A descoberta ocorreu através da perfuração do poço Cabaça Sudeste-1, localizado a 100 km da costa, em lâmina d'água de 470 metros.

Foi comprovada a existência de reservatórios de 450 metros de espessura, e avaliações iniciais indicam a existência de pelo menos 500 milhões de barris de petróleo de alta qualidade ("in place"). O poço Cabaça Sudeste-1 é o sétimo de oito poços de exploração previstos nos compromissos contratuais da licença. Seis dos sete poços perfurados até hoje comprovaram sucesso nas atividades de exploração no bloco.

O bloco é operado pela Eni (35%), em parceria com Petrobras (5%), Sonangol Pesquisa e Produção (15%), SSI Fifteen Limited (20%), Total (15%), Falcon Oil Holding Angola SA (5%), e a Statoil Angola Block 15/06 Award SA (5%).

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sonegação no setor de petróleo

Manobras contábeis das concessionárias que operam nos campos de exploração do Rio e Espírito Santo ajudaram o Repetro, regime que suspende tributos para bens usados no setor petrolífero, a se tornar a maior renúncia fiscal de comércio exterior do país. Desde que a Receita Federal identificou o problema e começou a apertar o cerco, há um ano, foram vetados pedidos de alíquota zero pelo setor que representariam cerca de R$ 1,6 bilhão em impostos não recolhidos. Para fugir do tributo, as concessionárias que alugam navios de apoio criaram alguns artifícios, como uma operação triangulada, em que contratam uma empresa nacional para operar o navio estrangeiro, ao mesmo tempo em que alugam este mesmo navio de uma empresa estrangeira, pagando geralmente todo o custo envolvido para contas em paraísos fiscais.

Concentrado no Rio - estado responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do país - e no Espírito Santo, o Repetro responde por 20% da renúncia fiscal no setor de comércio exterior brasileiro. Empresas sem status de EBN (empresa brasileira de navegação), ilegitimidade dos pedidos (empresas que não têm relação direta com a prestação do serviço), serviços contratados fora da abrangência do Repetro (que cobre apenas a exploração ou lavra de petróleo) e equipamentos de embarcações que já não operam no país (portanto, não beneficiadas pelo regime especial) estão na lista de irregularidades detectadas pela Receita. No entanto, são os contratos triangulados que envolvem os maiores volumes de recursos livres da tributação.

domingo, 4 de julho de 2010

REGIMES ADUANEIROS PARA A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO E GÁS


No desenvolvimento da indústria do Petróleo e Gás, a utilização de regimes aduaneiros especiais é imprescindível para a viabilidade econômica dos projetos. Por meio dos regimes aduaneiros, as empresas conseguem desonerar os tributos incidentes na importação e aquisição de máquinas e equipamentos, cujo valor agregado é muito alto.

Entretanto, os regimes utilizados para a indústria de Petróleo e Gás não se limitam ao Repetro, cuja dificuldade operacional vem sendo colocada à prova pela Receita Federal, ao demorar a expedição do deferimento de habilitação e ao exigir prévia obtenção de Licença de Importação dos produtos amparados por esse regime.

Assim, outros regimes aduaneiros são e devem ser utilizados pelas empresas, tais como o regime de admissão temporária, depósito alfandegado certificado, drawback, entreposto aduaneiro em plataformas, que permitem importação com suspensão total e parcial de tributos na importação. Além desses, deve ser considerado a possibilidade de utilização de exportação ficta e drawback para fornecimento no mercado interno, que permitem a suspensão total de tributos incidentes na venda de produtos nacionais destinados para o mercado interno.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eike promete investir R$ 34,8 bilhões no Rio

O controlador do grupo EBX, Eike Batista, lançou ontem as obras do porto Sudeste, em Itaguaí, anunciando investimentos de R$ 34,8 bilhões para o Estado do Rio de Janeiro até 2012. Desse total, R$ 6,1 bilhões são relativos aos portos de Açu e Sudeste; R$ 9 bilhões serão investidos em siderurgia, em parceria com a chinesa Wisco; R$ 4,2 bilhões em exploração de petróleo; R$ 15 bilhões em projetos de geração de energia; e R$ 500 milhões em outras instalações. Eike Batista tratou de lisonjear o governo federal. Chegou a classificar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como o "melhor banco do mundo". A instituição, lembrou, está financiando o porto do Sudeste, batizado de "Superporto" pela EBX, com R$ 1,2 bilhão.

O projeto está sendo tocado pela LLX, empresa de logística do grupo. O porto, localizado na Baía de Sepetiba, segue o conceito de terminal portuário privativo de uso misto. O empreendimento, de R$ 1,8 bilhão, escoará a produção do Sistema Sudeste da MMX, empresa de mineração do grupo EBX, e de outros produtos de minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, que atualmente não exportam por falta de opção logística. O início da operação do porto está previsto para 2012.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estaleiro da OSX será no Rio

A OSX, empresa de construção naval do grupo EBX, do empresário Eike Batista, informou ter dado entrada no processo de licenciamento ambiental para construção de estaleiro no Porto do Açu, onde a LLX trabalha na construção de complexo industrial. O investimento estimado de US$ 1,7 bilhão seria feito em Biguaçu, em Santa Catarina, mas o projeto foi rejeitado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em parceria com a LLX, já foi iniciado o processo de préviabilidade do estaleiro, que terá tecnologia da Hyundai Heavy Industries, líder mundial em construção naval e dona de 10% do empreendimento.
De acordo com comunicado da OSX, a decisão de escolher o Rio como local do estaleiro foi devido à abertura de canal interno de navegação, o Campus-Açu, que deságua no mar através do porto que está sendo construído pela LLX. Este canal poderá ser usado pelo estaleiro. O estaleiro terá cais de mais de 3,5 quilômetros de extensão no Complexo Industrial do Açu, e vai gerar 10 mil empregos diretos na fase de operação e 3,5 mil empregos diretos na fase de construção, informa a OSX. A empresa estima ter a licença para construção no Rio até abril de 2011. A companhia não acredita em aumento substancial no custo de construção devido à mudança de local.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Petrobras terá plano de investimento de US$ 220 BI

A Petrobras anuncia hoje seu novo plano de investimentos para o período 2010-2014, que deve vir com um valor superior aos US$ 220 bilhões anunciados como teto no início do ano. O plano foi aprovado na última sexta-feira pelo conselho de administração da companhia e é uma das variáveis que definirá o valor de sua capitalização. Analistas não esperam impacto do vazamento de petróleo no Golfo do México, o que vem derrubando as avaliações sobre as empresas envolvidas no processo de emissão de ações da estatal brasileira. O processo de capitalização será apresentado a seus investidores minoritários nesta terça-feira, em assembleia no Rio de Janeiro.

Porém, já hoje, a empresa deve detalhar o plano de investimentos, que seria anunciado ainda na sexta-feira, mas foi adiado sem maiores explicações. Fontes próximas à companhia dizem que o valor ficará pouco acima do teto de US$ 220 bilhões definido na última reunião do conselho de administração. Petrobras e analistas do mercado petrolífero acreditam que a capitalização da estatal brasileira não será prejudicada pelo mau momento do setor petrolífero em bolsas de valores. A avaliação interna na companhia é que suas ações surgem como alternativa para investidores que buscam ativos mais seguros, não tão dependentes dos EUA nem da conturbada situação europeia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CHEFE DA BRITISH PETROLEUM NEGA RESPONSABILIDADE DIRETA NO ACIDENTE NO EUA

O executivo chefe da BP, Tony Hayward, procurou afastar sua responsabilidade direta no acidente com a plataforma no golfo do México em testemunho à Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA ontem. "Não estive envolvido no processo decisório" de construção do poço, afirmou repetidas vezes. "Houve discussões entre engenheiros sobre escolhas na construção, e decisões de engenharia foram tomadas.

Enfrentando um interrogatório duro por parte dos deputados, ele afirmou que as investigações até agora identificaram sete áreas com problemas, entre elas o uso do cimento e controle do poço perfurado. Mas disse vezes sem conta que "não fará julgamentos sobre o que aconteceu até que a investigação esteja concluída."

De posse de e-mails trocados entre funcionários da empresa e outros documentos, os deputados disseram ter verificado que as decisões foram baseadas em pressa e desejo de economizar. Para Hayward, porém, as escolhas foram tomadas pensando "na integridade da plataforma a longo prazo". Pressionado, que "se sente muito responsável" e que é preciso "determinar exatamente o que aconteceu". Mas reiterou que "simplesmente não estava envolvido no processo decisório". "Eu vi os documentos, [mas] não tirei conclusões."

Na Câmara dos EUA, executivo da BP pede perdão

Cercado por um batalhão de fotógrafos, um tenso Tony Hayward, diretor-executivo da BP, esquivou-se nesta quinta-feira das questões mais difíceis dos deputados americanos sobre o pior desastre ambiental da história do país: o vazamento de óleo em um dos poços explorados pela gigante petrolífera britânica. A esperada audiência num painel do Comitê da Câmara dos Representantes dos EUA de Energia e Comércio, foi vista como um cenário montado para fritar o principal executivo da BP, criticado mais por sua fria e demorada reação do que pelo desastre em si.

Hayward pediu perdão pelo acidente que além das 11 vidas perdidas e danos ambientais, custará à BP os dividendos deste ano e venda de ativos para prover um fundo de US$ 20 bilhões destinado a indenizar vítimas do vazamento, após a explosão de uma plataforma no dia 20 de abril. "Sinto muito que tenha ocorrido" - disse, num tom contrito e quase inaudível."Isso nunca deveria ter acontecido". Porém, o executivo da BP esquivou-se de perguntas sobre questões de segurança, respondendo que não participa das decisões com relação à exploração em águas profundas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Setor de petróleo e gás lidera autorizações de trabalho estrangeiro no país


No primeiro trimestre de 2010, foram concedidas 4.977 mil autorizações temporárias a profissionais do setor de petróleo e gás. No primeiro trimestre de 2010, 11.530 profissionais estrangeiros foram autorizados a trabalhar no Brasil, com 94% das autorizações de cunho temporário, com estada de até dois anos.

As informações constam de pesquisa da Coordenação Geral de Imigração (CGig) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre os profissionais estrangeiros autorizados a trabalhar temporariamente no Brasil.

Segundo o coordenador geral de Imigração do MTE, Paulo Sérgio de Almeida, o setor líder na absorção de estrangeiros no mercado brasileiro recebe embarcações e plataformas estrangeiras, que já vêm tripuladas do exterior. "Cada embarcação estrangeira chega com uma equipe de profissionais, que são autorizados a ingressar no Brasil. Como o setor tem tido um crescimento exponencial, é cada vez maior a presença de embarcações e plataformas estrangeiras, o que gera aumento no número de autorizações concedidas", explica.

As autorizações concedidas ao setor petrolífero passaram de 33% em 2009 para 45,5% nos três primeiros meses de 2010. A concentração de autorizações no setor reflete na distribuição por Unidade Federativa: o Rio de Janeiro, maior produtor de petróleo do Brasil, lidera o número de autorizações. Somente no primeiro semestre de 2010 foram 6.879 autorizações para profissionais estrangeiros trabalharem no Rio de Janeiro.

Em relação ao país de origem dos profissionais, o país com maior número de registros são os Estados Unidos, com 1.608 autorizações entre janeiro e março deste ano, seguido do Reino Unido, com 1.119, e Filipinas, 1.086. Norte-americanos e europeus formam contingente de mão-de-obra com qualificação específica, enquanto filipinos são em maior parte tripulantes em navios e plataformas do setor de petróleo e gás.

As autorizações permanentes somam 603 até março. A legislação brasileira estabelece a necessidade de visto permente para diretores de empresas. Além disso, estrangeiros que aplicam recursos em atividades produtivas no Brasil também podem conseguir visto permente. "A maioria dos profissionais que conseguem esse tipo de autorização são diretores e executivos com poder de gestão que vêm ao Brasil trabalhar em filiais de empresas estrangeiras que aqui se estabelecem", comenta Paulo Sérgio.

Para o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o aumento do número de profissionais estrangeiros no Brasil está diretamente ligado ao crescimento do país, decorrente dos investimentos na economia brasileira, desde a implantação de grandes projetos nas áreas industriais, de energia, e principalmente no setor de petróleo e gás, até ampliações de indústrias, compra de máquinas e equipamentos importados.

"Tudo isso demanda a presença de profissionais estrangeiros para a supervisão de sua instalação e início de operação. Esses profissionais não competem com os trabalhadores brasileiros e muito menos retiram seus empregos. Ao contrário, trazem novos conhecimentos e experiências complementares, permanecem temporariamente no Brasil e ajudam a implantar projetos geram mais empregos para os brasileiros"

terça-feira, 15 de junho de 2010

“BRASIL PODE SER OS EUA DO SÉCULO XXI”, DIZ ARMANDO GUEDES.


Na última semana, foi realizado no Rio de Janeiro, o Congresso Pré-Sal Brasil 2010, que contou com autoridades e especialistas do setor de petróleo e gás, entre eles o Secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Márcio Félix, o presidente da Firjan e ex presidente da Petrobras, Armando Guedes Coelho, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim e o deputado Brizola Neto que também é presidente do Comitê de Estruturação da Petro-Sal. O objetivo do evento era debater sobre os principais assuntos do setor, entre eles, as novas descobertas e estimativas do potencial total das reservas do pré-sal e sobre o marco regulatório para a exploração daquela região.

O Secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Márcio Félix, foi o primeiro a se apresentar no evento e falou sobre as expectativas e os investimentos no setor de óleo e gás que estão sendo realizados no Estado do Espírito Santo (ES). “O nosso estado produz atualmente cerca de 220 mil barris de petróleo por dia, essa quantidade é a mesma das regiões norte e nordeste do país. Com a exploração nos campos do pré-sal, nossa estimativa é que a nossa produção chegue aos 300 mil bdp já no fim deste ano”, afirmou. Segundo o secretário, há uma previsão de R$ 65 bilhões em investimentos no estado até 2014. No fim de sua palestra, o executivo falou ainda sobre a divisão dos royalties do petróleo, mas não quis ser muito firme em sua opinião. “Esperamos que a solução encontrada pelo Congresso seja benéfica para todos”, finalizou.

“Brasil tem tudo para se posicionar entre as maiores economias do mundo”

Logo em seguida, subiu ao palco Armando Guedes, que fez todo um panorama do setor, apresentando os benefícios e riscos que a descoberta do pré-sal pode trazer ao país. O presidente da Firjan não se mostrou cauteloso e foi bem enfático em seus comentários, ressaltando a nova posição do Brasil no setor petrolífero. “O pré-sal é um grande acontecimento que ocorreu para o nosso país. É muito pouco provável que este feito ocorra em outro lugar do mundo. Eu colocaria o Brasil entre o 4º e 5º país com maior reserva de petróleo no mundo”, ressaltou Guedes. A expectativa do ex-presidente da Petrobras é que até 2014 o Brasil passe dos 2 para os 4 milhões de barris produzidos em seus campos, ficando atrás apenas de Arábia Saudita e Rússia, e se equivalendo ao Irã.

No fim, Armando chamou os representantes de empresas estrangeiras a investirem e se instalarem no Brasil, mas lembrou que o empresariado precisa ter confiança nos projetos desenvolvidos a partir do pré-sal. “O pré-sal é um projeto estratégico de longa duração, que pode durar de 20 a 30 anos. Se esta riqueza for gerida de maneira correta, o Brasil tem tudo para se posicionar entre as maiores economias do mundo, podendo chegar a ser os Estados Unidos do século XXI”. O executivo lembrou ainda que os desafios para exploração e desenvolvimento desses campos irão aparecer. “O marco regulatório é preciso ser visto com cautela, pois é um assunto complexo, investimentos no desenvolvimento da cadeia de petróleo e a escassez da mão de obra são assuntos que precisam de cuidado.

Um assunto que não poderia deixar se ser citado durante o Congresso foi a explosão da plataforma DeepWater Horizon, da operadora British Petroleum (BP), no Golfo do México. Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o vazamento de petróleo nos EUA pode gerar oportunidades para o setor no Brasil, em especial para o pré-sal. Tolmasquim explicou que por conta da suspensão de todas as operações na área, determinada pelo governo norte-americano, há no momento uma disponibilidade maior de sondas e equipamentos de exploração de petróleo no mercado. A outra oportunidade destacada pelo presidente da EPE diz respeito ao aumento do preço do petróleo em decorrência do acidente.

BP envia novo plano aos EUA e ação cai 10%

A British Petroleum (BP) enviou ontem ao governo dos Estados Unidos um novo plano para aumentar a capacitação do petróleo no Golfo do México, no mesmo dia em que o presidente Barack Obama inicia sua quarta visita à região. O governo norte-americano tinha dado até sexta-feira para que a BP apresentasse um plano eficaz para a contenção do vazamento e a coleta do petróleo derramado desde 20 de abril, e um funcionário da Casa Branca indicou que a empresa respondeu. “Depois que o governo indicou que atuasse com maior rapidez, a BP está acelerando os esforços para conter o vazamento de petróleo”, assinalou o funcionário.
“Agora esboçaram um método para conter mais de 50 mil barris de petróleo por dia até o fim de junho, duas semanas mais cedo que o sugerido inicialmente”. Um comunicado da BP explicou que a empresa, que já gastou US$ 1,6 bilhão na contenção, começará a captar petróleo e gás em um navio por encanamento. Ontem, as aços da empresa chegaram a cair mais de 10% em Londres, como mercado preocupado com a quantia que os EUA pedirão em indenização ao grupo.

sábado, 12 de junho de 2010

Cabral e Hartung reagem à emenda que redistribui royalties do petróleo e apostam em veto de Lula


Brasília e Rio, 13h26, 10/6/2010 - A aprovação da emenda que redistribuiu os royalties do petróleo provocou reações duras dos governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung "os dois estados mais afetados pela medida. Hartung afirmou que a emenda é inconstitucional e deve ser vetada pelo presidente Lula. Cabral se referiu ao texto como "ilegal e aviltante" e disse ter certeza do veto.

Em entrevista a uma rádio em Aracaju, Lula não respondeu claramente o que fará no caso da emenda aprovada nesta madrugada pelo Senado. O presidente limitou-se a dizer que, quando o Congresso exagera, ele veta . Na Câmara "para onde o projeto aprovado pelo Senado seguirá "o líder do governo, Cândido Vaccarezza , disse que tentará derrubá-lo por ser inconstitucional, ao estabelecer gastos sem determinar a fonte dos recursos.

" O presidente garantiu para mim que o que vale é o acordo, que trata do pré-sal a ser licitado. Não trata do pós-sal e nem do pré-sal já licitado.

O governador fluminense acrescentou que ele e Hartung, em protesto, não irão à convenção nacional de seu partido, o PMDB, no sábado. A legenda é a mesma do senador Pedro Simon, autor do texto que foi votado na madrugada, ressuscitando a Emenda Ibsen:

"Conversei com o presidente Lula há cerca de uma hora e meia atrás, manifestei nossa indignação. O presidente disse que o vale é o acordado entre mim e ele no CCBB, na frente de seis ministros. O presidente garantiu para mim que o que vale é o acordo, que trata do pré-sal a ser licitado. Não trata do pós-sal e nem do pré-sal já licitado. Qualquer coisa fora disso é roubo ao Rio de Janeiro, é desrespeito ao Rio de Janeiro.

Cabral disse, também, que vai suspender todas as mensagens enviadas à Assembleia Legislativa propondo reajustes para servidores fluminenses enquanto não houver o veto à Emenda Simon. São 10 mensagens que beneficiam mais de 15 categorias profissionais. A única que será mantida, segundo o governador, é a que propõe aumento para a segurança pública

O governador disse também que o estado do Rio está sendo sacrificado para garantir a capitalização da Petrobras. Ele se referia à votação realizada no Senado, na madrugada desta quinta-feira, que também aprovou o projeto de capitalização da estatal, que era de intersse do governo.

"A Petrobras não é mais importante do que o Brasil, não é mais importante do que o povo do Rio e do Espírito Santo.

Para o governador capixaba, depois do veto "se Lula confirmar a promessa feita aos estados produtores "e das eleições, os estados produtores, governo federal e representantes das demais unidades da federação devem discutir a distribuição futura das receitas do petróleo do pré-sal:

"Acredito que as inconstitucionalidades criarão um único caminho para o presidente da República: o veto. Esse será o caminho do equilíbrio, que marca a forma de agir do presidente. Com o veto e passado o período eleitoral, podemos sentar numa mesa redonda e construir um caminho "disse Hartung.

Se a emenda entrar em vigor, o Espírito Santo deixará de ter uma receita imediata de cerca de R$ 500 milhões, obtida com a exploração de óleo e gás no litoral capixaba. Mas, Hartung adverte que, com o crescimento da produção, que pulará de cerca de 140 mil barris para 300 mil barris, a arrecadação deve pular para R$ 1 bilhão. Segundo Hartung, a emenda Simon é inconstitucional por criar uma nova despesa para o governo federal, ao determinar que a União compense Rio e Espírito Santo pela queda na arrecadação.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, chamou de "patética e surreal" a forma como foi realizada a votação, durante a madrugada, e atacou o senador Pedro Simon:

"Acho tão patético e surreal, tão fora de propósito, que não tenho dúvida de que é uma daquelas noites de realismo do Congresso Nacional, do Senado Federal, no caso. A gente espera que a Câmara possa a vir a corrigir isso e se não corrigir, que o presidente Lula vete este absurdo. Me impressiona muito um senador como o Pedro Simon, que é uma espécie de referência do ponto de vista ético. E aí ético não é só não roubar... Ética é você também não chegar na madrugada, sem o devido debate, sem a devida discussão, e querer aprovar medidas que não foram debatidas e discutidas. Eu acabei descobrindo que o senador Pedro Simon é um homem sem ética ", afirmou o prefeito do Rio.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Venda de porto

A WTorre anunciou ontem a venda do Estaleiro Rio Grande para a Cevix, empresa recém-criada que é uma parceria da Engevix Engenharia e da Funcef, fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal (CEF). O estaleiro, que está prestes a ser inaugurado, foi vendido por R$ 410 milhões. No comunicado divulgado ontem, a empresa informou que o negócio ainda será submetido à aprovação dos órgãos nacionais de defesa da concorrência. A aquisição feita pela Engevix integra uma série de investimentos que a empresa vem fazendo no Rio Grande do Sul. Em abril deste ano, a companhia assinou uma carta de intenções com a Petrobras para a construção de oito cascos de plataforma em território gaúcho.
O projeto, anunciado em 2008 pelo presidente da estatal e batizado de "fábrica de cascos", demandará um investimento de US$ 3,75 bilhões. A própria WTorre teria disputado esse contrato. Os cascos serão produzidos no estaleiro, na área arrendada pela Petrobras por dez anos. Parte do investimento necessário para a construção do estaleiro veio da estatal, em troca do arrendamento. Outros 21% partiram da WTorre. A Engevix também disputará uma nova licitação da Petrobras para a construção de sete navios sonda, com investimento estimado em US$ 6,3 bilhões, numa clara intenção da empresa de concentrar suas operações em Rio Grande.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nove grupos disputam encomenda da Petrobras

A Petrobras deve receber hoje e amanhã as propostas técnicas e comerciais para a construção, no Brasil, de um conjunto de sondas de perfuração de poços de petróleo em uma encomenda que deve superar os US$ 20 bilhões. Pelo menos 9 grupos, sozinhos ou em parceria, devem apresentar ofertas. Até ontem a noite várias empresas ainda trabalhavam no detalhamento das propostas uma vez que, espera-se, a concorrência seja acirrada. A Petrobras dividiu a encomenda em duas partes: hoje vai receber as ofertas para construção de duas unidades de perfuração, que podem ser do tipo semi-submersível, navio-sonda ou monocoluna. Amanhã, a estatal deve receber propostas para a construção de 28 navios-sonda. Esse volume foi dividido em quatro lotes com sete unidades cada um.
Executivos do setor estimam que cada sonda construída no Brasil possa custar cerca de US$ 800 milhões, o que representaria um investimento total pela Petrobras da ordem de US$ 22 bilhões. Vão entregar propostas o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), KeppelFels Brasil, a coreana STX e a parceria entre Odebrecht, OAS e UTC no Estaleiro Enseada do Paraguaçu. No mercado, comenta-se que Jurong, de Cingapura, Engevix, a parceria entre Galvão e Alusa e a Andrade Gutierrez também estariam no páreo. A Andrade Gutierrez utilizaria parte das instalações do estaleiro Mauá, de Niterói (RJ), com o qual negocia uma parceria, para construir as sondas caso ganhe. O Estaleiro Eisa montou proposta, mas só ia decidir se faria oferta após uma reunião prevista para ontem à noite, disseram fontes próximas à empresa.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Leilão de biodiesel da ANP vende 565 milhões de litros com deságio médio de 2,74%


Rio, 11:56 3/3/2010 - O 17º. Leilão de Biodiesel da ANP, realizado nos dias 1 e 2 de março, no Rio de Janeiro, resultou na venda de 565 milhões de litros do produto com a participação de 43 unidades produtoras. O preço de referência foi de R$ 2,3000 por litro e o preço médio ponderado foi de R$ 2,2369/litro para os 565 milhões de litros oferecidos, representando deságio médio de 2,74 %


Das 33 empresas vencedoras, a Granol foi a que ofereceu o maior volume de biodiesel: 70 milhões de litros, sendo 40 milhões de litros da unidade produtora de Anapólis (GO). O leilão teve a participação de produtores de 14 estados brasileiros. Das regiões brasileiras, a Centro-Oeste foi a que teve o maior volume arrematado no leilão: cerca de 273,7 milhões de litros de biodiesel. A Região Sudeste ficou em segundo lugar, com 96,5 milhões de litros seguida das Regiões Sul (95,9 milhões de litros), Nordeste (75,0 milhões de litros) e Norte (23,8 milhões de litros), em valores aproximados.


Participaram das ofertas para o primeiro lote, de 452 milhões de litros, somente produtores de biodiesel autorizados pela ANP a exercer a atividade de produção e de comercialização de biodiesel (conforme determinação da Resolução ANP n o 25 de 2/9/2009) detentores do Registro Especial da Secretaria da Receita Federal e do Selo "Combustível Social". O segundo lote, de 113 milhões de litros, foi destinado a produtores que preencham todos os requisitos exigidos para o primeiro lote, com exceção do Selo "Combustível Social".


O leilão adotou a modalidade pregão, na forma eletrônica. O volume comercializado destina-se a atender à Resolução nº 6 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de 16/09/09, publicada no Diário Oficial da União em 26/10/09, que estabelece em 5% o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final (B5), a partir de 01/01/10. O período de entrega será de abril a junho de 2010, segundo a Portaria nº 50, de 12 de fevereiro de 2010, do Ministério de Minas e Energia. O produto foi adquirido pela Petrobras e pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).

domingo, 13 de setembro de 2009

A pergunta mais freqüente que os executivos de Supply Chain fazem é: qual a solução para se ter uma cadeia de abastecimento eficiente, com o balanceamento correto entre o serviço desejado e os custos? Os gestores normalmente tendem a focar as ações em suas áreas de expertise, em detrimento daquelas que poderiam trazer maior impacto para a estratégia de negócios. Mas qual seria a solução ideal? Vamos a análise de algumas alternativas:
Sinergias e ganhos de escala - montar uma estrutura logística que permita sinergias e ganhos de escala, operando de maneira otimizada em função da característica física dos produtos e serviços oferecidos, respeitando os requisitos de entrega dos clientes e a disponibilidade dos modais de transportes, reduzindo custos e aumentando o nível de serviço a clientes. Aumento na disponibilidade dos insumos - definir uma estratégia de suprimentos que leve em conta a disponibilidade dos insumos produtivos ou de suporte, a quantidade de fornecedores habilitados e qualificados e a criticidade dos materiais envolvidos, respeito aos prazos do ciclo operacional e aos padrões de qualidade estipulados pelas áreas de desenvolvimento técnico. Além de diminuir as rupturas no atendimento dos pedidos temos potenciais economias no custo de produtos e serviços. Adequação da demanda - alinhar a demanda da equipe comercial com as restrições da cadeia produtiva, atentando para a capacidade de reação operacional às oscilações de mercado, sazonalidade e o conjunto de atividades promocionais que alteram a curva regular de participação do produto ou serviço no seu ambiente mercadológico. Troca de informações com parceiros - garantir resposta rápida e qualificada às oportunidades de ocupação de espaço no mercado de atuação em função do aumento da previsibilidade e confiabilidade nas relações de fornecimento entre os parceiros comerciais, com benefícios concretos no abastecimento, redução de estoques e rupturas por um planejamento inadequado. Revisão de unidades operacionais - rever a malha de distribuição e a localização das unidades fabris em um país com as dimensões territoriais do Brasil é fundamental, podendo ocasionar ganhos com fretes de transferência e entregas e potenciais economias com tributos. Apropriação de benefícios tributários - além de se apropriar dos benefícios existentes, considerar novas alternativas de isenção ou postergação no pagamento de tributos. As autoridades são normalmente sensíveis a propostas de concessão de incentivos fiscais pela abertura de operações em suas regiões de atuação, com geração de novos postos de trabalho e aumento do volume financeiro local. Qual das alternativas acima é a melhor? Todas as mencionadas, além de outras que certamente irão surgir num processo contínuo de melhoria na cadeia, são válidas e devem ser perseguidas.A prioridade a ser definida num processo de criação de uma cadeia de abastecimento eficiente e alinhada com objetivos estratégicos vai depender de uma série de fatores, tais como:
• Impacto nos resultados financeiros;
• Disponibilidade de recursos para executar os projetos em cada área de oportunidade;
• Capacitação interna para gestão de cada um dos processos da cadeia;
• Nível de sofisticação tecnológica e organizacional dos parceiros;
• Movimentação dos concorrentes e do mercado de atuação;
• Atendimento a exigências de parceiros dominantes na relação comercial;
• Fatores externos, como mudanças nos cenário econômico ou político na área de atuação da organização.
Um questionamento fundamental é: como evoluir na direção correta em um cenário de transformações constantes e velocidade de inovações crescente? Não podemos esquecer que a gestão da cadeia de abastecimento é um processo de prestação de serviço às áreas de geração de demanda, que tem uma expectativa normalmente alta em relação ao suporte prestado pelas áreas de retaguarda.

Publicado por: ASLOG

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Petrobras prevê retomada da produção em Tupi em setembro


A Petrobras prevê que o TLD (Teste de Longa Duração) do poço na área de Tupi, situado no bloco BM-S-11, no pré-sal da bacia de Santos, volte a operar no mês que vem. Juntamente com a subida de produção de outras plataformas que começaram a produzir no início do ano, a Petrobras conta com a operação no pré-sal para fechar 2009 com média de produção acima dos 2 milhões de barris/dia.
Segundo a área de exploração e produção da companhia, os ajustes no equipamento instalado em Tupi estão sendo feitos dentro do cronograma, o que permitirá o retorno da produção, em torno de 15 mil barris/dia, em setembro.
O teste em Tupi foi interrompido no início de julho, depois de um parafuso de fixação de uma das árvores de Natal molhadas (equipamento submarino de controle de fluxo de poços) do projeto apresentar defeito. Segundo a Petrobras, a parada não vai atrapalhar o programa de desenvolvimento da área.
Além do TLD de Tupi, a Petrobras tem ainda prevista a subida de produção de outras unidades que passaram a operar recentemente. É o caso da plataforma P-51, instalada na bacia de Campos desde janeiro, cuja produção atual é de 78 mil barris/dia. A P-51 tem capacidade para produzir até 180 mil barris/dia. No primeiro semestre, a média da unidade foi de 45 mil barris/dia.
Já a plataforma Cidade de Niterói, instalada no campo de Marlim Leste desde fevereiro, está próxima do pico de produção, de 100 mil barris diários. No início de agosto, o sistema produzia 94 mil barris/dia. No primeiro semestre, a média de produção da plataforma foi de 63 mil barris/dia.
A Petrobras conta ainda com as produções das plataformas instaladas nos campos de Frade, operada pela Chevron, e em Parque das Conchas, operada pela Shell. Nas duas áreas, a estatal tem participação minoritária.
Em relação aos testes na camada pré-sal, a companhia planeja concluir, nos próximos 45 dias, testes de formação --que dão informações mais detalhadas-- nas áreas de Iara, no bloco BM-S-11, e Guará, no bloco BM-S-9, ambos na bacia de Santos. A estatal não fez previsões, no entanto, acerca da possibilidade de detalhamento dos volumes ali contidos após esses testes.
Em conferência com analistas e investidores promovida pela Apimec-Rio (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), o diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse que já foi identificada reduções entre 10% e 30% no aluguel de sondas para exploração, de acordo com a especificação do equipamento.
No ano passado, lembrou o executivo, os custos com as sondas estavam bastante elevados, pelo aquecimento do mercado, que acabou arrefecendo um pouco em função da crise econômica.
"Hoje em dia, o custo para a aquisição de sondas está bem menor, e há disponibilidade no mercado, diferentemente do ano passado", comentou. Barbassa defendeu ainda a política de preços dos derivados praticada pela estatal, que não prevê alterações no curto prazo. Segundo ele, essa prática mantém estável a geração de caixa da empresa, o que, explicou, é fundamental para quem tem um plano de investimentos no longo prazo.
"Os resultados obtidos pela Petrobras, em relação à geração com a venda de derivados, são iguais a empresas que flutuam os preços no curto prazo. Não há perdas para a companhia, e o consumidor também ganha com a estabilidade dos preços", observou.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Estaleiro coreano Daewoo negocia participação em concorrente brasileiro


Seul, 27/7/2009 - A coreana Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering Co., terceiro maior estaleiro do mundo, disse estar em conversações para a compra de uma participação de até 20% em um concorrente brasileiro, a fim de disputar as encomendas da Petrobras.
"A cláusula de índice mínimo de nacionalização é muito importante para conquistar os projetos da Petrobras", disse o principal executivo da Daewoo, Nam Sang Tae, em entrevista concedida em Seul. O negócio pode ser concluído até o fim deste ano, disse Sang Tae, sem citar nominalmente o estaleiro brasileiro de que pretende participar.
A Daewoo Shipbuilding segue o exemplo da Keppel Corp. e da Samsung Heavy Industries Co. ao instalar bases de produção no Brasil para conquistar mais encomendas de projetos para águas profundas. A Petrobras, autora da maior descoberta de petróleo das Américas das últimas três décadas, pretende investir US$ 174,4 bilhões em exploração até 2013.
"A concorrência para assegurar mais pedidos de equipamentos para águas profundas vai se intensificar, num momento em que muitos dos estaleiros estão se concentrando em ganhar a corrida", disse Song Sang Hoon, analista da Kyobo Securities Co. de Seul. "As petrolíferas precisam garantir campos de petróleo, e isso implica maior necessidade de equipamento para águas profundas."
A Petrobras pretende encomendar de cinco a sete navios-sonda, ou semissubmersíveis, disse seu diretor financeiro, Almir Guilherme Barbassa, a 20 de abril. A empresa precisará de mais de 240 embarcações, como navios-sonda, petroleiros, plataformas de produção e barcos de abastecimento nos próximos cinco ou seis anos, disse Barbassa.
A petrolífera brasileira exige que 70% dos pedidos de equipamentos para águas profundas sejam construídos no Brasil, portanto o estaleiro tem de contar com uma presença no País, disse Nam.
"Estou confiante de que participaremos do projeto da Petrobras, uma vez que somos fortes na construção de plataformas de sondagem e navios-sonda", disse Nam. "É apenas uma questão de quantos conseguiremos garantir."plataformas. A Keppel, maior montadora de plataformas de sondagem de petróleo para águas rasas, está realizando estudos de viabilidade para comprar uma participação num segundo estaleiro no Brasil, o que proporcionará à empresa, de Cingapura, mais capacidade produtiva para construir estruturas de águas profundas para a Petrobras.
"Estamos bem posicionados no Brasil porque ficou provado que podemos atender bem às necessidades", disse Choo Chiau Beng, principal executivo da Keppel, em Cingapura. "O principal ponto para nós é estar perto dos nossos clientes, é saber que os países querem manter as obras dentro de suas fronteiras."
A Samsung Heavy, o segundo maior estaleiro mundial, comprou no ano passado uma participação de 10% no Estaleiro Atlântico Sul, para explorar os pedidos na América Latina, entre os quais os da Petrobras.(Da Agência Bloomberg)