sexta-feira, 9 de novembro de 2012

QGEP tem lucro de R$ 61,9 milhões no 3T12

A QGEP Participações S.A. divulgou na quarta-feira (7) que teve lucro líquido consolidado de R$ 61,9 milhões no terceiro trimestre de 2012, representando um aumento de R$ 65,4 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

O fluxo de caixa de atividades operacionais atingiu R$ 64,5 milhões, similar aos R$ 64,9 milhões do 2T12. Já a receita líquida totalizou R$ 127,2 milhões, um crescimento 71,8% em relação ao 3T11 e 3,3% em relação ao 2T12. No 9M12, a receita líquida atingiu R$ 346,3 milhões, 68,2% acima do resultado do 9M11. O EBITDAX no 3T12 foi de R$ 87,1 milhões, um acréscimo de 85,3% em comparação ao 3T11, com margem EBITDAX de 6%.

“Neste trimestre, tivemos um excelente desempenho financeiro e operacional. Registramos aumento significativo nas linhas de receita, EBITDA e lucro líquido, tanto na comparação anual como na trimestral, principalmente em função dos altos níveis de produção no Campo de Manati. Além disso, nossa geração de caixa das atividades operacionais foi substancial e alcançamos importante progresso nos nossos projetos exploratórios durante os primeiros nove meses deste ano”, Lincoln Guardado, presidente da QGEP.

A forte demanda por gás natural gerou resultados bastante positivos no Campo de Manati, onde a produção média diária atingiu 6,7 MMm³ de gás natural no terceiro trimestre e de 6,1 MMm³ nos primeiros nove meses de 2012.

A QGEP anunciou ainda que Sérgio Michelucci será o novo diretor de Exploração a partir de 1º de dezembro de 2012. Michelucci é geólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem especialização em geofísica pela Universidade do Texas em Austin e possui mais de 37 anos de experiência na atividade de Exploração de Produção de Petróleo, dos quais 35 anos foram como funcionário da Petrobras. Em janeiro de 2012, Michelucci se juntou à QGEP onde ocupou a posição de gerente de Projetos Exploratórios.
 
Informações retiradas do site: http://www.portalnaval.com.br/

sábado, 20 de outubro de 2012

REAJUSTE DE TARIFAS AEROPORTUÁRIAS

Informação obtida junto a TAKELOG (Comissária de Despachos)

“Conforme decisão 67, de 10/07/12, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), serão reajustadas as tarifas aeroportuárias de embarque, conexão, pouso, permanência, armazenagem e capatazia, previstas no Anexo 4 do Contrato de Concessão de Aeroportos – CCA nº 003/ANAC/2012 – SBKP.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Petrobras encontra novo reservatório gigante no pré-sal de Santos

O prospecto de Carcará, descoberto pela Petrobras em parceria com a Galp, Queiroz Galvão e Barra Energia, é uma das mais signicativas descobertas já realizadas no Brasil, afirmou o presidente da Barra Energia, João Carlos de Luca.

No início da noite, a Petrobras divulgou nota informando os novos dados obtidos com a continuação da perfuração do poço 4-SPS-86B (4-BRSA-971-SPS), que testa o prospecto de Carcará, no bloco BM-S-8 em águas ultraprofundas, no pré-sal da Bacia de Santos. Essa descoberta já havia sido anunciada preliminarmente no dia 20 de março de 2012.

Localizado a 232 km do litoral do Estado de São Paulo, em lâmina dágua de 2027 metros, o poço ainda está sendo perfurado dentro da zona de óleo, a 6.213m de profundidade, e tem o objetivo de determinar a espessura total dos reservatórios portadores de petróleo bem como a presença de zonas de interesse mais profundas.

Foram coletadas novas amostras de óleo até a profundidade de 6.131m, que comprovaram a boa qualidade do petróleo de cerca de 31º API. O poço comprovou, também, que os reservatórios carbonáticos têm excelentes características de porosidade e permeabilidade.

O poço, ainda em perfuração, já confirmou uma coluna maior que 400 metros de petróleo, caracterizada principalmente por reservatórios contínuos e conectados.

A Petrobras é operadora do consórcio (66%) em parceria com a Petrogal Brasil (14%), Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás Ltda. (10%) e Queiroz Galvão Exploração e Produção S.A. (10%).

sábado, 2 de junho de 2012

OGX vai produzir diariamente 50 mil barris no segundo trimestre de 2013

A produção de petróleo da OGX, empresa do empresário Eike Batista, deverá atingir entre 40 mil e 50 mil barris diários no segundo trimestre de 2013, disse o presidente da companhia, Paulo Mendonça.
A empresa esperava chegar a esse patamar ainda em 2012, com quatro poços em fase de extração no complexo de Waimea, na bacia de Campos. Mas a OGX optou por reduzir o volume na fase de Teste de Longa Duração (TLD), como é chamado o início da produção de um poço.
"Estamos produzindo com a injeção de água e precisamos equilibrar isso. Se injetarmos água demais, vamos entregar o reservatório depletado. Estamos testando, mas com a produção atual, de 8,5 mil barris em cada poço, estabilizou", disse o presidente da OGX em entrevista à Reuters.
A OGX deu início à produção do seu primeiro óleo, em Waimea, no dia 31 de janeiro deste ano. Nos testes, a produção teve diferentes níveis de vazão, entre 10 mil e 18 mil barris por dia, para o avaliar o comportamento do reservatório.
Atualmente existem dois poços abertos, e a produção média está em 17 mil barris/dia. Com o início da extração no segundo poço, no início do mês, a produção chegou a subir de 11,5 mil barris de petróleo para 23 mil barris/dia (ao todo), disse ele.
Mendoça informou ainda que um terceiro poço em Waimea começará a produzir no segundo semestre de 2012. Isso fará com que a produção atinja entre 30 mil e 40 mil barris/dia até o final do ano.
Um quarto poço virá somente em 2013, e aí a produção pode variar entre 40 mil e 50 mil barris/dia.
Parte do complexo de Waimea tem volume recuperável de 110 milhões de barris segundo o Plano de Desenvolvimento apresentado à Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas pode chegar a 150 milhões, segundo Mendonça.
A estimativa para todo o complexo de Waimea (que envolve outros campos) permanece entre 500 e 900 milhões de barris. A declaração de 110 milhões de barris abrange apenas uma parte do campo, Waimea Pequena, batizada de Tubarão Azul, onde opera a plataforma FPSO OSX-1.
Acreditava-se inicialmente que Waimea era um único campo, mas recentemente a OGX dividiu o complexo em vários reservatórios.
Segundo o presidente da companhia, essa divisão foi necessária porque descobriu-se que existem vários tipos de óleo, com diferentes graus API (22 e 24 graus) e que funcionam com diferentes pressões.
INVESTIMENTO
O executivo disse que a companhia será capaz de manter seu agressivo plano de produção de petróleo mesmo se crise grega do euro e uma desaceleração chinesa chegarem a forçar os preços do petróleo para patamares baixos.
A empresa pretende iniciar a produção em Waikiki, batizado de Tubarão Martelo, em 2013.
"Mesmo se o petróleo chegar em 70 dólares ou 80 dólares o barril, podemos ganhar dinheiro, continuar os nossos programas", afirmou.
"Se cair ainda mais para 60 dólares ou 70 dólares por barril, um monte de empresas vai estar em apuros. Mas se chegar a 60 dólares o barril será temporário", acrescentou Mendonça.
O petróleo Brent já caiu cerca de 15 por cento desde o pico do ano de pouco mais de 128 dólares o barril no início de março, e agora está próximo ao valor do início do ano, em torno de 106 dólares o barril.
Uma patamar "bom" para a empresa seria acima do valor do Brent atual.
"Eu acho que entre 120 e 125 dólares por barril é um preço bom, mas o que realmente me assusta é se o petróleo vai a 150 dólares o barril, o que poderia realmente ferir a economia mundial."

Por Leila Coimbra e Jeb Blount

sábado, 24 de dezembro de 2011

Etanol brasileiro vai ter livre acesso aos EUA em 2012, diz Unica

Lei dos EUA, que inclui subsídios e tarifa para importado, expira no dia 31.

Entidade diz que não haverá 'qualquer medida que impeça a abertura'.

O mercado dos Estados Unidos vai se abrir para o etanol brasileiro de cana-de-açúcar em 2012, depois de mais de 30 anos de protecionismo, informou nesta sexta-feira (23) a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).


A legislação americana vigente, que inclui subsídio de US$ 0,45 por galão de etanol produzido nos Estados Unidos, assim como a tarifa alfandegária de US$ 0,54 cobrada pelo galão de etanol importado, expira no dia 31 de dezembro. A avaliação da Unica, é que os subsídios não serão prorrogados.

"Com o fim das atividades no Congresso americano para 2011 nesta sexta-feira, não haverá mais oportunidade para qualquer medida que impeça a abertura para o etanol brasileiro, a partir do primeiro dia de 2012, do maior mercado consumidor de combustíveis do mundo", destacou, em comunicado, a entidade, representativa dos principais produtores da região Centro-Sul.

O Brasil, que é o segundo produtor mundial de etanol, depois dos Estados Unidos, reivindica há anos o fim das barreiras ao produto brasileiro.
Desde 2007, a Unica tinha um escritório em Washington para trabalhar pela eliminação das barreiras ao etanol brasileiro. Segundo a entidade, a tarifa impede que o etanol brasileiro chegasse ao mercado americano com preços competitivos.

“Este é o momento em que Brasil e Estados Unidos, que juntos respondem por mais de 80% do etanol produzido no mundo, devem mostrar liderança e trabalhar juntos para criar um verdadeiro mercado global para o etanol, livre de barreiras tarifárias, a exemplo do que já acontece com o petróleo. Os dois países devem dar o exemplo e incentivar o resto do mundo para que produza e utilize mais etanol,” afirmou o presidente da Unica, Marcos Jank.

A entidade vê no fim de barreiras tarifárias nos EUA o caminho aberto para que as diferentes matérias primas utilizadas para produzir etanol, como o milho, a beterraba e a cana, sejam avaliadas exclusivamente com base em suas características para produzir biocombustíveis eficientemente. "O que não pode prevalecer é a proteção política à matéria prima deste ou daquele país,” afirma Jank.

Ele destacou que o setor sucroenergético brasileiro vive um momento de transição, se esforçando para voltar a crescer e atender à demanda por seus produtos, que aumenta fortemente dentro e fora do Brasil. “Hoje a prioridade é atender o mercado doméstico, mas com o fim da tarifa americana, é possível visualizar a consolidação do etanol como commodity internacional, como já acontece com o açúcar" afirmou.







quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Repsol YPF realiza maior descoberta de petróleo de sua história no Sul da Argentina

A Repsol YPF confirmou ter feito a maior descoberta de petróleo da sua história, com os primeiros resultados exploratórios da sua participação em um dos maiores reservatórios de hidrocarbonetos não-convencionais do mundo, denominado Vaca Muerta, na província argentina de Neuquén.


A companhia confirmou um volume de recursos recuperáveis de 927 milhões de barris equivalentes de petróleo de hidrocarbonetos não-convencionais, dos quais 741 milhões de barris correspondem a petróleo bruto de alta qualidade (40-45º API) e o resto a gás, em uma superfície de 428 km² na área Loma La Lata Norte, na província de Neuquén. Foram perfurados e colocados em produção 15 poços verticais com um volume total de produção de cerca de 5.000 barris de petróleo equivalente diários.

Também foram iniciados trabalhos exploratórios em outra área produtiva de 502 km² da mesma formação Vaca Muerta. Os poços perfurados nesta região alcançam volumes de produção similares aos da região previamente mencionada, com elevada qualidade (35º API). A nova área abre uma expectativa de grandes volumes para desenvolver no futuro, quando forem realizados os estudos correspondentes e finalizados os trabalhos preliminares necessários para quantificar os recursos.
Até agora, a companhia concentrou seus esforços exploratórios de recursos não-convencionais em uma área de Loma La Lata Norte. Essa região, de 428 km², faz parte dos 12.000 km² cuja concessão pertence à YPF, na formação Vaca Muerta, um dos maiores reservatórios de hidrocarbonetos não-convencionais (30.000 km²) e com a maior qualidade do mundo.

A consultora internacional Wood Mackenzie identificou a formação de Vaca Muerta como uma das melhores do mundo dentro do "Unconventional Gas Service" e avaliou como "excelente" depois de analisar outras regiões exploratórias nos Estados Unidos, Austrália, China e diferentes países europeus. A medição incluiu, entre outros parâmetros, o desenvolvimento do mercado de hidrocarbonetos, infraestrutura, regulação, disponibilidade de água, termos fiscais, qualidade, volume comparativo, capacidade de melhora da recuperação com a tecnologia e organização da cadeia de abastecimento.

Adicionalmente aos 428 km² informados, estão sendo realizadas perfurações e estudos para quantificar os recursos adicionais na nova extensão delimitada em 502 km², cujos resultados até a data permitem adiantar dados similares àqueles já colocados de manifesto na área anteriormente mencionada.

domingo, 9 de outubro de 2011

Exportações brasileiras atingem marca de US$ 1 bilhão por dia

Nos últimos dez anos, média diária de exportações cresceu 330%

As exportações brasileiras atingiram, em setembro, a marca de US$ 1 bilhão por dia útil na parcial do ano, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
As vendas externas brasileiras somaram US$ 190 bilhões em 189 dias úteis - nos nove primeiros meses deste ano. Na parcial deste ano, até o fim de agosto, o valor ainda não havia sido atingido, uma vez que as exportações haviam somado US$ 166,7 bilhões em 168 dias úteis, uma média diária de US$ 992 milhões por dia, segundo números do governo.
Histórico e comparação internacional

A série histórica da balança comercial, disponibilizada pelo Ministério do Desenvolvimento, revela que o crescimento das exportações, pela média diária (critério considerado mais adequado por especialistas), foi de 330% nos últimos dez anos. Em 2001, a média diária de vendas externas brasileiras somava US$ 233 milhões.

O patamar de US$ 500 milhões só foi atingido em 2006 (US$ 553 milhões por dia útil). Em 2009, com a primeira etapa da crise financeira internacional, as exportações caíram 21,7%, para US$ 612 milhões por dia útil, contra US$ 782 milhões em 2008. No ano passado, as exportações voltaram a subir, totalizando US$ 804 milhões de média diária.

Apesar do crescimento registrado nos últimos anos, os números mostram que o Brasil ainda está distante dos países que mais transacionam no mercado externo. A China, por exemplo, que concentra cerca de 10% do comércio mundial, exportou US$ 1,57 trilhão em 2010 - o que daria uma média diária, pelo calendário brasileiro, de US$ 6,5 bilhões em vendas externas.

Os Estados Unidos, por sua vez, cuja participação no comércio mundial somou 8,3% no ano passado, exportou US$ 1,28 trilhão em 2010 - o que daria uma média por dia útil, pelo calendário brasileiro, de US$ 5,3 bilhões no último ano.

Alta dos preços de commodities impulsiona valor das vendas externas

Bons números mascaram problemas


Segundo especialistas, o crescimento das vendas externas neste ano, porém, mascara problemas. Isso porque o resultado de 2011 está inflado pelo aumento dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro, alimentos e petróleo, entre outros).

Com a alta destes preços no fim do ano passado e começo deste ano, que também acabou por impulsionar a inflação no Brasil, os exportadores de produtos básicos ganharam mais por suas vendas sem necessariamente elevar o volume exportado.

Um bom exemplo é o petróleo, cujo volume exportado caiu 1% até setembro, mas, amparadas por um aumento de 40% no preço, as exportações subiram 39% neste ano. No caso do minério de ferro, as vendas externas subiram 60% neste ano por conta do aumento de 51% no preço do produto e de 6% na quantidade exportada. O mesmo ocorre com a soja, o café, o milho, que têm suas exportações sustentadas principalmente pelos preços altos em 2011.

"O preço das 'commodities' foi o principal fator que ajudou a atingir a marca diária de US$ 1 bilhão em exportações. Mas as vendas de manufaturados [que subiram 18,4% até setembro], estão acima da média mundial", disse o secretário-executivo-adjunto do Ministério do Desenvolvimento, Ricardo Schaefer.

Desindustrialização?

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) avalia que seria "inevitável alguma elevação na importância relativa dos bens primários devido a um efeito puramente de preços", mas alerta que a “primarização” da pauta exportadora brasileira ocorre não somente pela supervalorização das "commodities", mas também por um "colapso" da capacidade brasileira de colocar sua produção nos mercados externos e interno.

A ideia de reindustrialização é aproveitar o benefício dos recursos que vêm da venda de primários [produtos básicos] para reforçar a base da transformação"

O Iedi acha necessário que o país desenvolva um "programa de reindustrialização". Para o consultor do Iedi, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o programa "Brasil Maior", que desonera a folha de pagamento de alguns setores e oferece outros benefícios para os exportadores, ainda não é suficiente para resolver o problema de competitividade das empresas brasileiras contra o resto do mundo.


"A ideia de reindustrialização é aproveitar o benefício dos recursos que vêm da venda de primários [produtos básicos] para reforçar a base da transformação. Teria que fazer muito mais [do que o Brasil Maior]. Vemos o 'boom' das commodities como um bem que pode propiciar e melhorar as condições de competitividade do produto transformado e gerar mais empregos. O melhor é ter o equilíbrio na pauta. Se temos a possibilidade de produzir e exportar primários e industrializados, que tenhamos os dois. A 'dobradinha' é que é o ideal. Se um estiver não estiver bem, o outro compensa", declarou o economista.

Segundo o consultor do Iedi, problemas estruturais da economia brasileira, como a alta taxa de juros e o dólar (apesar da alta recente) baixo, ainda são entraves para a indústria. "O governo pode atuar com financiamento e ajudar na formação de mão de obra. A indústria, devido aos altos custos e produtividade deficiente, está perdendo terreno e isso pode gerar desindustrialização lá na frente, que é a perda da capacidade da indústria de contribuir para o crescimento do país. É um processo que virá se nada for feito", avaliou Almeida.

Perspectiva para 2012

José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que o Brasil tem de comemorar a marca dos US$ 1 bilhão de média diária de exportações que está sendo atingida neste ano. Entretanto, pondera que o resultado não foi fruto de ações do governo brasileiro, e sim do cenário internacional - que gerou alta dos preços das "commodities".

"Tem que se comemorar [a marca de US$ 1 bilhão por dia exportados]. Mas, basicamente, não foi Brasil que provocou isso. Decorre do cenário internacional e não foi programado. A meta de exportações do governo, no começo do ano, era de US$ 225 bilhões. Depois passou para US$ 245 bilhões e agora está em US$ 257 bilhões. O próprio governo não previa isso. O Brasil apenas aproveitou", disse José Augusto.

Segundo o economista, o mesmo cenário, entretanto, não deve se repetir em 2012. Com a crise financeira internacional, explicou ele, os preços das "commodities" devem cair, assim como a demanda por outros produtos. "Em 2012, os preços vão cair e os valores das exportações também. E o governo, que nada fez para aumentar as exportações neste ano, nada vai fazer para evitar a queda [em 2012]", declarou ele.

O vice-presidente da AEB acrescentou que o cenário internacional ainda é incerto, mas disse que, se tivesse de fazer uma avaliação, projetaria uma queda de 20% a 30% nas exportações no próximo ano. "As exportações com certeza caem. A dúvida é quanto vão cair", disse Castro.

Ele analisou, porém, que o cenário do próximo ano pode melhorar um pouco a perspectiva para as vendas externas de produtos manufaturados. "Teoricamente, com um menor ingresso de capital no Brasil e juros menores, não atraindo tanto capital, o câmbio [dólar] pode subir, o que poderia aumentar a venda de manufaturados. Mas estaremos em crise, com comércio menor. Tem melhor preço [pela alta do dólar], mas pode não ter comprador", explicou o vice-presidente da AEB.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Camex sobretaxa ar condicionado split de até 7.500 Btus e bicicletas

Produtos foram incluídos na lista de exceção da TEC, informa governo.

Alteração se deu por conta do 'aumento significativo' das importações.


A Câmara de Comércio Exterior (Camex) se reuniu nesta terça-feira (6) em Brasília e decidiu aplicar uma sobretaxa na importação de aparelhos de ar condicionado "split" de até 7.500 Btus e, também, de bicicletas comuns. As bicicletas de competição não estão tendo o imposto elevado.


Segundo o governo, o aumento do imposto de importação, para estes produtos, foi autorizado por conta do "aumento significativo" da importação em um período recente, reduzindo os "níveis de competitividade" da indústria nacional.


Os produtos foram incluídos na lista brasileira de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC). Com isso, tiveram seu imposto de importação elevado de 18% (ar condicionado) e de 20% (bicicletas) para 35% em ambos os casos. O Brasil está autorizado a manter em sua lista de exceção à TEC, até o fim de 2015, cem produtos.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, os fabricantes deste tipo de ar condicionado, no Brasil, ficam na Zona Franca de Manaus. Para aparelhos com mais potência, informou o governo, não há produção local, sendo as peças importadas e os aparelhos montados no sul do país.

Além do ar condicionado "split" de até 7.500 Btus, e das bicicletas, outros produtos também foram incluídos na lista de exceção à TEC e, com isso, também tiveram seu imposto de importação elevado para 35%. São eles: pneus de borracha de bicicletas, porcelanatos, partes referentes a unidades condensadoras ou evaporadoras para fabricação de aparelhos de ar-condicionado, barcos a motor e rodas e eixos ferroviários.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Bunge vai investir US$ 2,5 bilhões para processar cana no Brasil


Investimentos serão aplicados na expansão de oito usinas do grupo.
Anúncio foi feito em reunião com a presidente Dilma em São Paulo.

Em reunião com a presidente Dilma Roussef na tarde desta quinta-feira (18) em São Paulo, executivos da Bunge Brasil anunciaram plano de investimento de US$ 2,5 bilhões entre 2012 e 2016 no setor de açúcar e bioenergia no Brasil.

Os investimentos serão aplicados na expansão de oito usinas do grupo, que devem aumentar a capacidade de processamento em 50% e atingir 30 milhões de toneladas de cana de açucar por ano, para produção de açíucar, etanol e energia elétrica.

Segundo o presidente da empresa no Brasil, Pedro Parente, o investimento de US$ 2,5 bilhões no próximo período equivale a passar de investimento anual de US$ 400 milhões por ano para US$ 500 milhões por ano.

Participam da reunião com a presidente Dilma, no escritório da Presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista, o presidente mundial da Bunge, Albertro Weisser, o presidente da empresa no Brasil, Pedro Parente, e o ministro das Minas e Energia, Édison Lobão.

Após a reunião, a presidente e o ministro deixaram o prédio sem falar com os jornalistas. Os executivos da Bunge explicaram o teor das conversas.

"Discutimos muito o desafio que existe para os próximos 40 anos. A produção mundial de grãos vai ter de aumentar 70%, ou seja, 1,5 bilhão de toneladas a mais, onde a área de agricultura só pode expandir 10% por diversas razões de meio ambiente, mas também por existência da água. O Brasil tem responsabilidade muito grande nessa produção no futuro. Por isso conversamos sobre o quão importante é o investimento em infra-estrutura", afirmou o presidente mundial da Bunge, Albertro Weisser. "Ficamos felizes em ouvir a maneira como o governo brasileiro vem planejando o desenvolvimento", complementou.

A empresa quer elevar sua capacidade de produção para além das metas estipuladas no atual plano de investimentos. "Queremos chegar a 40 milhões de toneladas", disse.

Rolls-Royce recebe encomenda brasileira de £ 15 milhões para embarcações de apoio offshore


A Rolls-Royce recebeu uma encomenda para projetar e equipar duas embarcações de apoio offshore UT 735 SE para a empresa Brasil Supply, com o valor de £15 milhões, e que serão arrendadas à Petrobras.

O contrato inclui o projeto das embarcações e um sistema integrado de equipamento Rolls-Royce, incluindo propulsão, maquinário de convés e sistemas de manuseio de cargas a granel e de controle das embarcações. Elas são especificamente projetadas para transportar fluidos e cargas sólidas de e para plataformas offshore de petróleo e gás.

Essa é a segunda encomenda da Brasil Supply nesse ano, e a empresa agora tem sob encomenda quatro embarcações offshore projetadas pela Rolls-Royce, sendo que todas serão construídas no Estaleiro Ilha S.A., no Brasil.

Atle Gaasø, Gerente Geral de Vendas de Embarcações de Apoio Offshore, declarou: "Com esse contrato a Rolls-Royce reforça ainda mais sua presença no Brasil. Esperamos trabalhar em conjunto com o armador e com o estaleiro ao longo da construção dessas embarcações sob medida". As embarcações estarão prontas para entrega em 2013.

Para fornecer suporte para uma crescente base instalada de equipamentos no Brasil, a Rolls-Royce abriu uma instalação avançada de reparos marítimos e revisões em Niterói em 2009. Ela é parte de uma ampla rede de Centros de Serviços Marítimos Rolls-Royce, três dos quais já foram abertos este ano em Gdynia (Polônia), Walvis Bay (Namíbia) e Rotterdam (Holanda).

sábado, 23 de julho de 2011

Petrobras anuncia plano de investimentos quinquenal de US$ 224 bilhões para agradar mercado e governo


A Petrobras lançou um novo plano de investimentos de US$ 224,7 bilhões para os próximos cinco anos que busca elevar a rentabilidade da empresa, aumentando os gastos em exploração de petróleo, mas que mantém o valor global praticamente inalterado ante o programa anterior.
O plano foi feito sob encomenda para agradar o mercado e o governo, sobretudo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que pediu reiteradas vezes que a Petrobras fizesse um programa de investimentos "mais realistas e sem excessos".

De um lado, a empresa mostrou que reduziu os gastos com refino, segmento com margem apertada de lucro, e aumentou os investimentos em exploração e produção. De outro, manteve o valor próximo ao plano anterior, reduzindo a necessidade de aumento no preço de seus principais produtos, gasolina e diesel, que vem impactando a inflação.

A área de Exploração e Produção (E&P) vai receber US$ 127,5 bilhões no período de 2011 a 2015, ante US$ 118,8 bilhões previstos no plano anterior. Já o setor de Refino, Comercialização e Transporte (RTC) terá US$ 70,6 bilhões, contra US$ 73,6 bilhões no programa passado. A Petrobras traçou no plano metas específicas de redução de investimentos em refinarias, mas ainda não deu detalhes.

"Se boa parte (do plano) for para o upstream (exploração e produção) vai ter recepção positiva, e se tiver redução de investimentos em refinarias pode trazer ânimo para os papéis", disse à Reuters o analista Andrés Kikuchi, da Link Investimentos, antes do anúncio do plano, referindo-se às debilitadas ações da companhia que estão perdendo mais do que o Ibovespa este ano.

MENOS PETROQUÍMICA, MAIS ETANOL

A estatal também reduziu investimentos nas áreas de Petroquímica, de 5,1 para US$ 3,8 bilhões, e da área de Gás e Energia de 17,8 para US$ 13,2 bilhões, Já no setor de biocombustíveis, onde estão incluídos os investimentos em expansão de produção de etanol e de biodiesel, serão aplicados US$ 4,1 bilhões em cinco anos contra US$ 3,5 bilhões previstos no plano anterior, até 2014. A empresa informou que foram retirados projetos do plano anterior no valor de US$ 10,8 bilhões e foram incluídos US$ 32,1 bilhões em novos projetos.

"Em relação aos novos projetos incluídos no Plano, 87% do valor dos investimentos é dedicado à área de E&P, sendo que boa parte representa investimentos relativos à Cessão Onerosa (US$ 12,4 bilhões), compreendendo projetos de alta geração de caixa", disse a empresa em um comunicado.

A estatal ressaltou que o atual plano não prevê emissão de ações e apenas endividamento, em uma faixa anual entre 7 e US$ 12 bilhões, dependendo do cenário mundial. A promessa no plano é de uma alavancagem média de 29 a 26 por cento, dependendo do cenário.

Do modo como foi preparado, o plano busca manter as condições necessárias para a manutenção do grau de investimento, disse a petroleira. A empresa prevê gerar de US$ 125 bilhões a US$ 148,9 bilhões de caixa próprio no período e captar até US$ 67 bilhões.

Pela primeira vez a empresa - que teve o pedido do conselho de administração para manter os investimentos próximos do nível do plano anterior - anunciou que fará desinvestimentos no valor de US$ 13,6 bilhões. O conselho rejeitou por duas vezes versões anteriores do plano, antes da aprovação desta sexta-feira, em Brasília.

PRODUÇÃO

A meta de produção de longo prazo da empresa subiu de 5,382 milhões de boed para 6,418 millhões de boed em 2020, "devido basicamente ao aumento da participação da produção esperada do pré-sal e à introdução da produção nas áreas da Cessão Onerosa", explicou a companhia.

A Petrobras prevê perfurar dez poços exploratórios na cessão onerosa, contemplados pelo programa exploratório mínimo exigido pelo contrato, e a expectativa é de que a entrada em produção do primeiro FPSO da área de Franco 1, com capacidade de produção de 150 mil boed, seja em 2015.
A meta de produção para 2015 também foi elevada, para 3,993 milhões de barris de óleo equivalente/dia. A meta de produção de petróleo este ano, no entanto, foi mantida em 2,1 milhões de bpd.

O plano traz ainda as projeções macroeconômicas da Petrobras para o período, com a taxa média de câmbio prevista em R$ 1,73 o dólar; e o preço do petróleo Brent projetado em US$ 110 para 2011 e uma faixa deUS$ 80 a US$ 95 o barril de 2012 a 2015. (Reuters)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sustentabilidade na logística – exemplos reais


Já discutimos como a logística pode ajudar o meio ambiente, como por exemplo com embalagens mais sustentáveis ou através da logística reversa. Hoje veremos exemplos de grandes empresas que contribuem para esta tendência, como Walmart, PepsiCo e IBM. Estes exemplos vem do jornal LA Times e mostram como o Walmart e outras companhias têm se esforçado para melhorar sua sustentabilidade. Há alguns exemplos interessantes que se aplicam além da gigante do varejo.

A cervejaria Anheuser-Busch InBev disse querer reduzir em 30% o uso de água em seus processos produtivos em até 5 anos e reciclar 99% de seus resíduos até 2012. A varejista de ferramentas Lowe’s reciclou quase meio bilhão de quilos de pallets de madeira e papelão.

No ano que vem, a PepsiCo Inc. está planejando testar garrafas feitas a base de plantas – que incluiriam mais de meio milhão toneladas de cascas de aveia e de laranja, que normalmente são resíduos de outras atividades da empresa.

A IBM ficou em primeiro lugar dentre 100 empresas no quesito ambiental da lista da Corporate Responsability Magazine. Mas o ambientalismo não é somente “uma demonstração de virtude da empresa” ou uma forma de filantropismo, segundo o diretor executivo Samuel Palmisano. É uma estratégia de crescimento.

“As preocupações sobre nosso meio ambiente não se opõem às preocupações sobre nossas economias e sociedades – elas são uma só”.

Para o Walmart, algumas iniciativas vão diretamente para as operações do dia-a-dia. Mas por trás das prateleiras, as operações passaram por grandes mudanças sustentáveis. A empresa afirmou que 80% dos seus resíduos na Califórnia não vão mais para os aterros sanitários – eles são reciclados em novos produtos. Ela já economizou milhões de dólares reciclando embalagens de produtos.

Mas isto vem com uma advertência: o Walmart afirma que acompanha o processo cautelosamente, pois qualquer passo dado afeta milhares de fornecedores.

“Como uma grande empresa, temos a responsabilidade e uma oportunidade – as decisões que tomamos podem acelerar mudanças por toda a cadeia de suprimentos”, disse Leslie Dach, vice-presidente executiva de assuntos corporativos. “Mas nós temos que ser mais cautelosos devido ao nosso porte”.

É uma troca interessante. Por um lado, o Walmart pode fazer muitas empresas entrarem nesta corrida. Se eles decidem que algo deve ser feito, empresas e cadeias de suprimentos podem mudar rapidamente. Por outro lado, eles sabem que existem consequências severas se eles estiverem errados. Isto significa que empresas pequenas podem arriscar mais se encontrarem alguém disposto a arriscar com eles. O Walmart certamente encontrará alguém disposto a jogar o jogo deles, mas se estiverem errados isto custará muito dinheiro para muitas pessoas.

Baseado no texto “Green packaging” de Martin A. Lariviere, publicado no blog The Operations Room. Tradução e adaptação feitas por Leandro Callegari Coelho e autorizadas pelos autores exclusivamente para o Logística Descomplicada.

sábado, 16 de julho de 2011

Brasil deve receber investimentos de R$ 1 trilhão para área de energia até 2020


O Brasil receberá investimentos de R$ 1 trilhão para projetos nas áreas de energia elétrica, petróleo, gás e biocombustíveis até 2020. A projeção foi apresentada pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim (foto), aos integrantes do Conselho Temático de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em reunião ocorrida nesta quarta-feira. Desse total de investimentos, a maior parcela será destinada a petróleo e gás, com R$ 686 bilhões nos próximos dez anos.

Segundo Tolmasquim, a oferta brasileira de petróleo saltará de 2 milhões de barris para 6 milhões de barris em 2020, dos quais 3 2 milhões serão para a exportação. "O Brasil vai ser o primeiro exportador de petróleo a ter uma matriz limpa no mundo", disse Tolmasquim. Ele afirmou isso considerando também fortes investimentos na área de etanol e energia elétrica com fontes renováveis.

As projeções da EPE indicam aplicação de R$ 90 bilhões em usinas de etanol nos próximos dez anos, o que será suficiente para atender a frota de veículos leves com motor bicombustível. A produção de etanol, que hoje oscila entre 25 bilhões e 28 bilhões de litros, chegará 73 bilhões de litros em 2020.

Tolmasquim destacou que atualmente a frota brasileira tem quase 29 milhões de carros, dos quais 49% já são bicombustíveis. Para 2020, a estimativa é que a frota chegue a 50 milhões de veículos desses 78% com motor bicombustível.

Na área de energia elétrica, Tolmasquim também apresentou um cenário positivo. Segundo ele, nos próximos dez anos, haverá uma expansão de mais de 61 mil megawatts na oferta de energia elétrica. "Grande parte já está contratada", informou Tolmasquim referindo-se a uma parcela superior a pouco mais de 42 mil megawatts. Nessa conta de projetos já contratados, ele inclui a energia que será ofertada pelas usinas de Jirau (RO), Santo Antônio (RO) e Belo Monte (PA). "Isso traz uma grande tranquilidade", destacou. As projeções consideram o crescimento do PIB de 5% em média nos próximos 10 anos.

No setor de transmissão de energia, o presidente da EPE explicou que está sendo considerada uma construção de 42.553 quilômetros de novas linhas, ou seja, uma expansão de cerca de 43% em comparação ao total de 99.649 quilômetros de linhas existentes. "No Brasil, o parque de transmissão é muito robusto", disse Tolmasquim. Ele disse ainda acreditar que dentro de pouco tempo serão solucionados entraves envolvendo licenciamentos ambientais o que facilitará investimentos no setor.

Apesar da expansão da geração de energia elétrica, as fontes renováveis continuarão respondendo por 83% do total em 2020, ou seja, o mesmo porcentual de hoje. As hidrelétricas, que hoje respondem por 75%, cairão para 67%. As fontes alternativas (energia eólica, pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e bioeletricidade com bagaço de cana), hoje em um patamar de 8%, subirão para 16%. A energia nuclear continuará em 2% em 2020 e a térmica, em 15%.

domingo, 10 de julho de 2011

Barreira do álcool nos EUA pode acabar em agosto e beneficiar exportação do etanol brasileiro


Senadores americanos dos partidos Republicano e Democrata anunciaram nesta quinta-feira acordo para acabar, no final deste mês, com os subsídios ao álcool de milho no país e com a tarifa de importação ao produto importado -que funciona como uma barreira à entrada do etanol brasileiro nos EUA.

No mês passado, o Senado dos EUA aprovou emenda para acabar com os subsídios, mas, como ela está acoplada à lei de revitalização da economia americana - que ainda não foi aprovada - e por isso continua parada no Senado.

O objetivo do acordo de hoje é acelerar o processo e incluir a eliminação dos subsídios no projeto de lei que estabelece um teto para os gastos públicos e que precisa ser aprovado até 2 de agosto.

"Esse acordo significa uma boa chance de ter uma votação rápida para o fim dos subsídios", diz Letícia Phillips, representante da Unica (União da Indústria da Cana) em Washington.

A pressão pelo fim dos subsídios, que somam US$ 6 bilhões anuais, ganhou força nos EUA devido aos esforços para conter gastos.

A abertura do mercado americano teria impacto comercial limitado para o Brasil no curto prazo, pois a produção está totalmente comprometida com o mercado interno, mas deve incentivar investimentos na produção.

sábado, 25 de junho de 2011

EUA, Europa e países da Ásia liberam 60 milhões de barris de reservas e derrubam preço do petróleo


A Agência Internacional de Energia (AIE), formada por 28 países, anunciou nesta quinta-feira a liberação de 60 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, a terceira da história da entidade, o que fez os preços da commodity caírem até 6%. Segundo a nota oficial da AIE, o objetivo é compensar a interrupção da produção da Líbia, já que o consumo de combustíveis aumenta durante o verão no Hemisfério Norte, "o que ameaçaria a frágil recuperação da economia global". Nos Estados Unidos - que responderão pela metade do volume liberado -, houve críticas de motivação política, para segurar a inflação.
"A economia global ainda está saindo da recessão, e é essencial que essa recuperação não seja colocada em risco por uma queda no fornecimento de petróleo", disse o diretor-executivo da AIE, Nobuo Tanaka.

Em Nova York, a cotação do tipo leve americano encerrou ontem em queda de 4,6%, a US$ 91,02, segundo dados da Bloomberg News. O barril chegou a cair 6%, a US$ 89,69. Em Londres, o barril do tipo Brent despencou 6,1%, a US$ 107,26.
As ações de petrolíferas caíram, puxando os mercados. Londres recuou 1,7%, Frankfurt, 1,8%, e Paris, 2,2%. Em Nova York, o Dow Jones encerrou em queda de 0,5%, depois de recuar mais de 1%, devido ainda à alta nos pedidos de seguro-desemprego na semana passada. Já o Nasdaq avançou 0,6%. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego passaram de 420 mil para 429 mil, na semana passada, informou ontem o governo. Economistas esperavam 415 mil pedidos.
Coordenação só na guerra e após Katrina

Os membros da AIE, criada após o primeiro choque do petróleo (1973/74), já haviam feito duas ações coordenadas de liberação de estoques. A primeira foi em 1991, quando o Iraque invadiu o Kuwait. A segunda foi em 2005, depois que o furacão Katrina arrasou plataformas e refinarias no Golfo do México.
A AIE vai liberar 2 milhões de barris por dia - o equivalente a 2% da oferta global -, em sua maioria de petróleo bruto, inicialmente ao longo de 30 dias. Os EUA vão entrar com metade do volume, que virá de sua reserva gigantesca de 727 milhões de barris. A Europa irá colaborar com 30%, e o restante virá de Austrália, Japão, Coreia e Nova Zelândia.

Os barris devem começar a chegar no mercado na semana que vem. Após 30 dias, a AIE fará uma avaliação dos preços e do equilíbrio entre oferta e demanda. A agência não descarta liberar mais petróleo.
A Câmara de Comércio americana, um dos mais poderosos lobbies de Washington, criticou fortemente a decisão da AIE e o governo Barack Obama. "Nossas reservas visam a resolver verdadeiras emergências, não preços altos politicamente inconvenientes", afirmou em nota Karen Harbert, diretora-executiva do Instituto de Energia da câmara.

Outros grupos dos EUA engrossaram o coro das críticas. Em nota, o Instituto Americano do Petróleo, que representa cerca de 400 produtores, afirmou que a liberação das reservas "é uma ação reacionária baseada na política de energia fracassada do governo".
Já a Associação Nacional de Petroquímicas e Refinarias classificou a decisão como uma ação política que não trará qualquer benefício aos consumidores. "Em vez disso, deixará nossa nação vulnerável se furacões, outros desastres naturais ou uma crise externa provocarem uma verdadeira queda no fornecimento".
- Não estamos em uma situação em que fisicamente precisamos de mais barris - disse à Bloomberg News Blake Fernandez, analista da consultoria Howard Weil. - Isso parece mais um movimento dos governos americano e europeus para reduzir os preços do petróleo.

O uso das reservas deve trazer alívio especialmente para os países europeus, às voltas com a crise da dívida em Grécia, Portugal e Irlanda, explicou à Bloomberg Eliecer Palacios, especialista em energia da consultoria Maxim Group. Ele ressaltou que, mesmo que os preços caiam, os ganhos das petrolíferas continuarão elevados.

- Todos ficarão felizes se o barril cair a US$ 75 - disse Palacios. Exxon Mobil, Chevron e Royal Dutch Shell não quiseram comentar a decisão da AIE.

Os estoques dos países membros da AIE somam 4,1 bilhões de barris, sendo que cerca de 1,6 bilhão estão nas reservas estratégicas dos governos. Os membros da agência que são importadores líquidos (que importam mais que exportam) são obrigados a manter reservas estratégicas equivalentes a 90 dias de suas importações. Segundo dados da AIE, esses estoques hoje equivalem a 146 dias de importações.
Há três semanas, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não conseguiu chegar a um acordo para elevar sua produção. A Líbia, membro da Opep, exportava cerca de 1,5 milhão de barris por dia antes da rebelião, iniciada em fevereiro, que paralisou a produção da indústria de petróleo. A AIE estima que a Líbia fique fora do mercado até o fim deste ano.

Alguns membros da Opep não gostaram da decisão. Um representante de um dos países do cartel disse à agência Dow Jones que não havia justificativa para essa ação e que a AIE estava agindo por conta própria - contrariando declarações do vice-diretor da agência, Richard Jones, de que a Opep havia sido consultada.
- Vai prejudicar os produtores de petróleo - disse à Dow Jones outro representante da Opep.

Uma fonte do cartel não descartou que a Opep faça reunião de emergência para reduzir a produção, se os preços do petróleo caírem muito.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Rio, SP e ES propõem novo fundo para royalties


Os estados com maior produção de petróleo - Rio e Espírito Santo, que ganharam a adesão de São Paulo - proporão que as demais unidades da Federação tenham acesso imediato às receitas geradas com as áreas já licitadas. A ideia é criar um fundo de desenvolvimento regional, no qual a União aportaria entre 30% e 50% dos recursos a ela destinados com royalties, participação especial e bônus de assinatura para financiar estados e prefeituras, sobretudo do Nordeste. Este ano, estima-se que a União receba R$ 10 bilhões.

A proposta, formatada em reunião anteontem no Rio, da qual participaram o governador em exercício Luiz Fernando Pezão, e os de São Paulo, Geraldo Alckmin, e Espírito Santo, Renato Casagrande, repassa a fatura ao Palácio do Planalto e será apresentada à presidente Dilma Rousseff até terça-feira. Na próxima semana, será agendada reunião dos estados produtores com os governadores do Nordeste, representados por Marcelo Déda (SE) e Eduardo Campos (PE).

Segundo Casagrande, que está coordenando o processo, o fundo teria uma duração de quatro ou cinco anos, prazo estimado para que os campos licitados já sob o regime de partilha, que vai substituir a concessão, comecem a gerar produção e receita. Ao contrário do que ocorre na concessão, na partilha ficou definido que os não produtores também serão remunerados. "A finalidade é cobrir este vácuo e atender quem deseja alguma arrecadação imediata", explicou Casagrande.

Os recursos seriam divididos com os estados não produtores, que teriam um quinhão das receitas correntes com petróleo, um dos alvos do texto aprovado no Congresso e vetado pelo ex-presidente Lula. A emenda rejeitada redividia a arrecadação de royalties entre as 27 unidades da Federação, incluindo as áreas já licitadas, sem compensação especial para Rio, Espírito Santo e São Paulo.

Segundo interlocutores, a proposta que está sendo costurada tem chances reais de vingar porque as partes sairiam ganhando. Além disso, a presidente está disposta e até determinou aos governadores do Nordeste que cheguem a um acordo para evitar que a União recorra ao Supremo Tribunal Federal. "A própria adesão de São Paulo (que vinha se mostrando alheio ao tema) reforça a necessidade de entendimento", destacou Casagrande.

domingo, 29 de maio de 2011

Cerrado PI se transforma na nova fronteira agrícola


Já foi o tempo em que o boi abria as fronteiras agrícolas pelo Brasil afora. Hoje cada vez mais é a soja que exerce esse papel. O cerrado do Piauí é uma nova fronteira agrícola e para chegar ao lugar foi preciso atravessar um oásis no meio do sertão, com água jorrando à vontade, mas muito mal aproveitada.

A cidade de Bom Jesus é o principal centro comercial do Sul do Piauí. No lugar tem 30 mil habitantes e fica a 640 quilômetros da capital Teresina, aos pés da serra de Uruçuí.

No topo, a 600 metros de altitude, fica o cerrado piauiense, uma nova fronteira agrícola desbravada pelos agricultores do Sul do país.

Mas antes de subir a serra, está o Vale do Gurgéia, um oásis no meio do sertão do Piauí.

No inverno nordestino, que na região vai de novembro a maio, não significa frio, mas chuva, que nesse período sempre vem com abundância. Toda a água alimenta um gigantesco aquífero subterrâneo.

O DNOCS, Departamento de Obras contra a Seca, perfurou vários poços. A água é de ótima qualidade e brota espontaneamente. Não é preciso bombeá-la. Por isso, os poços recebem o nome de poços jorrantes.

De todos os poços jorrantes do Vale do Gurgéia, o Violeta é o maior. Ele tem mil metros de profundidade e uma vazão de 800 mil litros de água.

O Violeta foi perfurado há 40 anos e tem capacidade para abastecer sozinho uma cidade de 260 mil habitantes ou irrigar uma área de 400 hectares. Mas entra governo sai governo e até agora a água não tem sido bem aproveitada.

Alguns poços alimentam as piscinas dos hotéis, onde a fartura de água do Vale do Gurgéia virou atração turística. Ao todo já foram perfurados 174 poços na região.

A maioria dos produtos vendidos na feira de Bom Jesus é do Vale do São Francisco, que a quase 500 quilômetros do lugar.

“Eu não sei por que está tão caro. Chuva não faltou. Água não falta. Tem muita produção. Nós estamos comendo esse que vem da Bahia. Mas nós poderíamos produzir em Bom Jesus. Água nós temos suficiente e mão de obra também. Tem gente sem fazer na nada, na rua, jogando sinuca e não quer produzir as coisas para ficar mais barato. Pode ser falta de estimulo. O gestor teria de ter uma política voltada para estimular as pessoas a trabalhar”, diz a agricultora Aerolisa Rodrigues.

Em Teresina a capital do Piauí, foi ouvida a opinião do governador Wilson Martins sobre a falta de aproveitamento da água dos poços jorrantes. “Falta vocação do povo para o trabalho na agricultura irrigada. Ao longo dos anos, o estado do Piauí foi colonizado por vaqueiros. Essas pessoas se acostumaram e plantaram o que precisavam para comer e sobrasse algum tostão para comprar uma roupa ou um calçado. E se acomodaram desta forma. Não se muda a cultura de um povo da noite para o dia. Muda-se aos poucos”, explica.

Mas para espanto da população do Vale do Gurgéia, no alto da serra nem é preciso furar poço para produzir. Só com a água da chuva os agricultores gaúchos estão produzindo arroz, feijão, soja, milho e algodão.

O problema são as estradas que ligam o vale ao alto da serra. O pior trecho da estrada é a subida da Serra das Palmeiras, um caminho estreito e muito perigoso. Não é possível fazer o transporte de cargas pesadas pelo lugar. Na época de chuva forte a estrada fica interrompida.

As terras do cerrado são planas, do jeito que o gaúcho gosta para semear os grãos. Na região, é época de colheita da soja. Para todo lado se ouve o som das máquinas.

Os gaúchos trouxeram levaram para o lugar todos os recursos da agricultura moderna.

Aécio Pinheiro Lemos, filho dos antigos vaqueiros do Vale do Gurgéia, diz que eles nunca imaginaram que as terras do cerrado pudessem produzir alguma coisa. “Antes a gente colocava o gado no cerrado. Nós achávamos que o solo era muito fraco e não dava a pastagem e o plantio de capim. A gente nunca cultivo o cerrado”, justifica.

O solo é ácido, como em toda terra de cerrado. Mas a região tem calcário suficiente para fazer a correção.

As sementes de soja foram desenvolvidas pelos pesquisadores brasileiros para suportar o clima tropical. A chuva começa na hora certa para o plantio e desenvolvimento da soja, e diminui na colheita. Isso é muito bom porque os grãos podem ser armazenados na lavoura, sem passar pela secagem.

Muitos produtores depositam a safra em silos-bolsa feitos de lona plástica, onde o produto pode ficar até dois anos sem estragar.

A exploração da área começou há 18 anos numa gleba experimental de 200 hectares. Hoje, já são mais de 400 mil. A safra deste ano é estimada em 1,2 milhão de toneladas. Isso significa só 1,5% da safra brasileira de soja. Mas é suficiente para mudar a vida de muita gente.

As lavouras de soja se concentram no município de Uruçuí, que antes da chegada dos gaúchos era apenas uma cidadezinha perdida no mapa do Piauí. Hoje, ocupa o segundo lugar em arrecadação de impostos do estado.

Há oito anos, Uruçuí não tinha sequer uma escola de segundo grau. Hoje, conta com um campus da Universidade Estadual do Piauí. O engenheiro agrônomo Jodélcio Luz foi diplomado na primeira turma da universidade e encontrou trabalho na sede da maior empresa de armazenagem e beneficiamento de grãos do Piauí.

“Hoje, temos 83 funcionários diretos. É algo em torno de 63 parceiros. Noventa por cento dessa quantidade é mão de obra local. Isso prova a oportunidade e a expansão que a região está mostrando”, avalia.

A empresa, uma multinacional holandesa, esmaga 730 mil toneladas de soja por ano, o que representa cerca de 80% da safra colhida no estado. Os produtos são vendidos para o mercado nordestino. O farelo é transformado em ração animal. O óleo é refinado para o consumo humano.

Entusiasmado com o progresso da região, o piauiense Aldir Lages saiu de Teresina há oito anos e foi até Urucuí, onde abriu uma empresa de produção de combustível.

O gaúcho Altair Fianco participou das primeiras experiências de introdução da soja em Uruçuí. Ele diz que o maior desafio dos produtores da região é a questão ambiental. Na opinião dele, as reservas legais das propriedades devem ser demarcadas em bloco, unindo as áreas das fazendas. Isso aumenta o espaço para os animais transitarem e garante a biodiversidade. Foi o que ele e seus dois vizinhos fizeram. Juntando as três áreas, são 18 mil hectares de reserva legal averbados na escritura.

“A gente não entende divisa de propriedade como divisa de reserva. Esse é o espírito que queremos implantar da nossa reserva em conjunto. Eu vim para ganhar dinheiro. Seria hipócrita se dissesse o contrário. Mas não ganhar dinheiro a qualquer preço, a custo alto da natureza. Eu preciso ter a natureza como aliada e eu serei o maior defensor dela. No futuro, meus filhos e netos poderão usufruir do que eu deixei de bom para eles”, diz Fianco.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

EUA vai aumentar uso do milho para produção de etanol em 2011


A previsão da safra divulgada está dando o que falar.
Produtos agrícolas tiveram dia de queda nas bolsas internacionais.

Nos Estados Unidos, as enchentes que atingiram algumas regiões, como o Mississipi, até agora não provocaram reflexos para o total da safra, segundo a última previsão do Ministério da Agricultura norte-americano.

Os números que são sempre acompanhados com atenção por quem decide as coisas no mercado, certamente vão mexer nos negócios nos próximos meses. A grande novidade é que a soja americana, que compete com a brasileira, está perdendo espaço para o milho. E é espaço na lavoura mesmo. Os agricultores estão produzindo menos soja, a previsão é de que colham 89 milhões de toneladas, um milhão a menos do que foi colhido em 2010.

Já nas lavouras de milho, o quadro é bem diferente, vai haver até recorde. Serão 343 milhões de toneladas, 27% a mais do que na safra passada. Pouco mais de um terço dessa safra gigante, cerca de 128 milhões de toneladas, vai para produção de etanol, ou seja, de cada 100 sacas de milho colhidas nos campos, 37 vão virar combustível nos Estados Unidos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Exportações alemãs batem recorde


A Alemanha registrou em março o maior valor já registrado de suas exportações, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (9).

As exportações em março somaram 98,3 bilhões de euros (cerca de R$ 225 bilhões), uma alta de 7,3% em relação ao desempenho de fevereiro e de 15,8% em relação a março do ano passado.

É o montante mais elevado desde que o nível de exportações começou a ser medido, em 1950.

O valor das importações em março também foi o maior desde 1950, tendo alcançado um total de 79,4 bilhões de euros, alta de 3,1% em relação a fevereiro e 16,9% comparado a março do ano passado.

"Década de ouro"

A Alemanha é o segundo maior exportador mundial, ficando atrás apenas da China.

''A Alemanha está à beira de uma 'década de ouro''', afirmou Chrstian Schulz, do Banco Berenberg.

Outro analista do setor financeiro, Cartsen Brzeski, da consultora ING, disse que a economia alemã ''está agora transitando com suavidade''.

As cifras recordistas da Alemanha são sinais fortes de que há ''duas marchas'' na zona do euro.

Enquanto as economias da Alemanha e da França continuam a crescer de forma robusta, outras, como as da Grécia e de Portugal estão lutando contra um cenário de elevadas dívidas públicas.

BBC Brasil - Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Embraer termina primeiro trimestre com lucro quase quatro vezes maior


Lucro líquido atingiu R$ 176,4 milhões, contra R$ 49,4 um ano antes.
Embraer teve receita líquida de janeiro a março de R$ 1,757 bilhão.

A Embraer anunciou nesta segunda-feira (2) que teve lucro líquido de R$ 176,4 milhões no primeiro trimestre, ganho quase quatro vezes maior em relação aos R$ 49,4 milhões obtidos um ano antes.

Já o lucro atribuído aos acionistas da companhia ficou em R$ 174,3 milhões no período, contra R$ 44,1 milhões no mesmo intervalo de 2010.

A base de comparação foi impactada pelo efeito combinado de impostos e variação cambial. De janeiro a março deste ano, a companhia obteve um crédito fiscal de R$ 4,2 milhões. No mesmo período de 2010, a empresa tivera nessa coluna uma despesa de R$ 88,1 milhões.

A terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo teve receita líquida de janeiro a março de R$ 1,757 bilhão, 1,5% abaixo do faturamento do primeiro trimestre de 2010. A Embraer havia informado em abril que entregou no primeiro trimestre 28 aviões, numa queda sensível sobre as 40 aeronaves despachadas um ano antes.

Ainda assim, a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 259,8 milhões, teve um aumento de 24% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. A margem Ebitda no período passou de 11,8% para 14,8%.

A companhia atribuiu esse resultado a um maior mix de produtos, tendo uma maior participação de serviços aeronáuticos: 15,4% contra 11% um ano antes.

"Normalmente, as margens de serviços aeronáuticos são maiores do que os outros negócios da Embraer, e especialmente neste último trimestre suas margens ultrapassaram a média face ao mix de receitas", afirmou a empresa no relatório.

O resultado trimestral da companhia veio com um aumento das despesas gerais, administrativas e comerciais, impulsionado sobretudo pela apreciação do real.

"A apreciação de 7,4% entre a taxa de câmbio média do real em relação ao dólar (...) representou um desafio adicional na gestão das despesas operacionais", acrescentou a Embraer no documento.

As despesas administrativas saltaram de R$ 63,3 milhões para R$ 95,4 milhões ano a ano, enquanto o item outras despesas líquidas disparou para R$ 14 milhões no primeiro trimestre, contra 400 mil reais no mesmo período em 2010.

A Embraer manteve a expectativa de encerrar 2011 com uma receita líquida de US$ 5,6 bilhões, conforme divulgado no final de março.